Crônicas & Opiniões - Coluna de colaboradores do Correio
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Diga não as drogas... ( Mauricio Martins )

Crônicas & Opiniões | Fonte: Mauricio Martins ( jmauric@click21.com.br ) :: 04/08/2010

 Mauricio Martins Éramos um grupo de jovens estudantes, rebeldes sim , mas não selvagens. O ano 1972, em plena ditadura militar. No rádio tocava os “Beatles”, com sua musica que nos embalava num sonho em busca de liberdade. Aos dezesseis anos de idade , na minha plena adolescência, em Bragança, minha cidade natal, fui apresentado a um cigarro de maconha. Peguei naquele “baseado” com uma vontade louca de mostrar minha independência, minha afirmação de homem perante os amigos. Mas uma estranha sensação se apoderou de mim, era um misto de medo e euforia, a galera ficou na expectativa do meu primeiro trago. Foram segundos, que parecera uma eternidade. Mas passado este momento, com a maior tranqüilidade, devolvi o cigarro ao meu primo.

Ali, naquela praça, daquele momento em diante, tive certeza do meu sonho de criança. Era preciso continuar estudando, me formar e trabalhar. Com isto, teria condições de ter uma família, esposa e filhos. Seguir um caminho não muito fácil, porém maravilhoso, o qual tem sido minha vida. Sabia das conseqüências daquele trago, uma janela se abria pra mim, mas que talvez não me levasse a lugar nenhum, não sei como seria ou onde estaria se houvesse enfim fumado aquele baseado. Mas uma coisa posso afirmar: nunca me arrependi por não fumá-lo.

Hoje, existe uma “droga” que nos cerca, não é alucinógena, mas faz um mal danado ao indivíduo, pois também é prejudicial a sua família, a sua cidade e ao seu estado. Ela se chama “voto”. Você não precisa fumar cheirar ou se picar para ficar dependente. Mas de dois em dois anos é obrigado a participar da festa, e basta se deixar levar pelo êxtase de falsas promessas e viajar nos projetos mirabolantes dos candidatos, pronto , você ta ferrado.

Nos meus cinqüenta e quatro anos de vida, poucas vezes, li ou ouvi na grande mídia nacional, noticias envolvendo: Generais, Almirantes ou Brigadeiros em escândalos financeiros ou de qualquer espécie neste país. No entanto, o mesmo não posso dizer de Governadores, Senadores e Deputados. Que muitas vezes são eleitos, devido a falta de conhecimento que o eleitor tem do candidato, da sua trajetória moral e ética, de seus princípios religiosos, enfim, votam apenas para agradar um amigo, ou pagar um favor recebido.

Escrevo este texto, dia 08 de julho, quando nossa pérola do caeté, Bragança faz aniversário, completa 397 anos. Sou agradecido a esta cidade, que permitiu tornar realidade meu sonho de garoto, foi aqui que aprendi os primeiros passos, cultivar e valorizar os amigos, respeitar a família .Portanto, aqui cabe uma reflexão. Não basta apenas a “ficha limpa” para conter as dezenas de candidatos contaminados e drogados pelo poder, que aparecem nestas eleições. Faz-se necessário também, votar em sã consciência, em homens e mulheres que tenham compromissos e amor por Bragança.

Onde está o Menino Jesus? ( Mauricio Martins )

Crônicas & Opiniões | Fonte: Mauricio Martins ( jmauric@click21.com.br ) :: 03/12/2009

 Mauricio Martins Chegou mais um Natal e mais uma vez, as campanhas de final de ano nos entopem de objetos indigestos, como: Novo carro, novo celular, vinho novo, nova Televisão, DVD, MP3, 4, 5, por aí afora e a promessa de uma nova vida no ano que vem.

Papai Noel, na figura de um bom e saudável velinho. É a estrela da TV, das campanhas publicitárias das lojas e até das festas em família, todos querem receber seu presente, é hora de gastar o que tem e às vezes o que não tem, todos pensam apenas nas ceias, nas festas de confraternização, na troca de presente entre amigos ocultos, enfim tudo gira em torno da grande febre de consumo, onde qualquer coisa é motivo para largos sorrisos. Mas será que este é o verdadeiro espírito de NATAL de um cristão? E o menino JESUS onde está?. Como encontrá-lo? Como vamos aprender a sua lição de vida, os ensinamentos pregados por Ele, se na sua festa, às vezes nem o convidamos.

Com certeza caro leitor, Ele não compartilha desta nossa maneira de comemorarmos seu nascimento, pois, o primogênito do PAI, o cordeiro imolado para salvar nossas vidas, merece muito mais. Precisamos mais do que nunca, parar e refletir, buscar e encontrar o verdadeiro Menino Jesus. Os pastores foram alertados pelo Anjo do Senhor, que hes apareceu e disse-lhes: “Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na cidade de Belém um salvador, que é o Cristo Senhor.”, os reis magos tinham a estrela do oriente, como bússola, a orientá-los ao encontro com Cristo, e nós, como vamos encontrá-lo. Não é tão difícil meu irmão e minha irmã, no Livro Sagrado, Evangelho de Mateus, cap.25, 34-36, “Porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim, em verdade Eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes irmãos, foi a mim que o fizestes”. Aí está a resposta que procuramos, Jesus Cristo é Amor, só com Amor, podemos sentir sua presença forte em nossa vida, e este Amor encontra-se dentro de nossa alma, no nosso interior, basta apenas olharmos ao nosso redor, com olhar fraterno, meigo, carinhoso e bondoso, como Ele nos ensinou:

“Amai-vos uns aos outros como Eu vos amo” e assim, todos teremos realmente um Feliz Natal e um 2010 cheio de Paz. Feliz ano Novo Bragança!.

Rio 2016 ( Mauricio Martins )

Crônicas & Opiniões | Fonte: Mauricio Martins ( jmauric@click21.com.br ) :: 06/11/2009

 Mauricio Martins O Brasil viu pela televisão, o choro do presidente LULA durante o anuncio do Rio de Janeiro como sede das olimpíadas em 2016. Para alguns o país virou primeiro mundo, só porque ganharam de Madrid, Tóquio e Chicago. Eu também chorei, mas não foi de alegria, e sim porque como milhões de brasileiros, vou ter que trabalhar muito para pagar esta conta.A olimpíada terá investimento na ordem de US$14, 3 bilhões, mas se considerarmos que o PAN no mesmo rio de Janeiro, teve seu orçamento de US$ 400 milhões saltando para US$3,1 bilhões(está no primeiro lugar do pódio em salto em altura), podem esperar que este mau exemplo no planejamento vai acontecer, com certeza, vamos trabalhar muito minha gente, suor pouco é bobagem para realizar este sonho brasileiro.

Num país onde atleta olímpico (tirando o do vôlei, natação e basquete) treina para esquecer a fome, patrocínio (tirando os do Governo) é luxo, mas uma vez vamos entregar de bandeja o nosso ouro, a nossa prata e o nosso bronze (ainda bem que temos a serra dos Carajás) e por muitos anos pagar caro pela empolgação dos cariocas, porque esta, como sempre é uma festa para vender uma imagem do Rio, diferente da que conhecemos, com a guerra urbana que ali se instalou nos morros da cidade dita maravilhosa, onde todos os dias pipocam tiros de metralhadoras e fuzis, onde inocentes morrem com a cabeça ou o peito perfurados por uma bala perdida, isso, quando escapam do fogo cruzado das diversas facções que controlam o comercio ilegal que abastecem os bolsos dos bandidos e dos poderosos (maus políticos, juizes, advogados, delegados, etc.) para fazer vista grossa as suas atividades não tão secretas assim.

Também chorei, porque sei que muita pouca coisa vai mudar ou ficar, como resultado deste grande investimento. Ha uma grande diferença entre o choro do presidente LULA e o das mães das meninas que vão se prostituir na esperança de visgar um “gringo” endinheirado, dos meninos que futuramente vão estar no sinal vermelho do Rio de Janeiro, vendendo droga para os turistas ou roubando um superatleta dos EUA. Sim, porque sei que os soldados do trafico vai aumentar, assim como o desvio de verba nas obras que vão ser construídas, pois, em corrupção, o Brasil é eterno campeão.

A organização da olimpíada nem bem começou e já tem o primeiro suspeito de corrupção, seu nome Ricardo Leyser Gonçalves, um dos membros do Comitê de Candidaturas, foi condenado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) a devolver R$18,4 milhões aos cofres públicos por irregularidades nos jogos pan-americanos de 2007.

Bem recente, os telejornais mostraram uma reportagem de equipamentos (comprados com o dinheiro do PAN) deteriorados pelo tempo, os quais poderiam estar ajudando a polícia detectar armas nos portos e aeroportos do Rio de Janeiro.

A minha esperança, é que Deus mantenha o Cristo de braços abertos, porque se ele resolver cruzar os braços, estaremos definitivamente liquidados, não pelas balas dos bandidos ou da tropa de elite, mas sim pela hipocrisia e irresponsabilidades dos homens que em algum momento escolhemos para comandar nossos destinos.

Oh! Virgem Santa. Rogai por Nós ( Mauricio Martins )

Crônicas & Opiniões | Fonte: Mauricio Martins ( jmauric@click21.com.br ) :: 09/10/2009

 Mauricio Martins Neste domingo na minha querida Belém do Pará, acontece a maior e mais bela procissão religiosa do Brasil e do mundo. Reúne aproximadamente dois milhões de romeiros numa caminhada de fé pelas ruas da capital paraense, num espetáculo grandioso em homenagem a nossa senhora de Nazaré. O que, nos Paraenses podemos afirmar se Deus é Brasileiro, é porque Nossa Senhora nasceu em Belém.

O círio de Nazaré, que acontece sempre no segundo domingo de outubro, é sem duvida a maior manifestação de fé, de um povo humilde, generoso e hospitaleiro, que recebe seus amigos como parte de sua família, abrindo o coração e a porta de seu lar para receber com carinho seus parentes de toda parte do Pará e do Brasil.

Costumo dizer aos que me perguntam sobre tal festa, que é necessário fazer parte dela, para poder compreender a fé que emana dos corpos sofridos dos pagadores de promessa, durante a procissão de Nossa Senhora. Com um percurso de aproximadamente quatro kilometros, com uma duração de cinco a seis horas, saindo da catedral metropolitana de Belém, a Sé, segue até a Praça do Santuário de Nazaré, passando pelas avenidas Castilho França, Presidente Vargas e Magalhães Barata ou Avenida Nazaré, onde milhares de pessoas expressam sua devoção, enfeitando as ruas e suas casas em homenagem a santa e pagando suas promessas em agradecimento pelas graças alcançadas, que pode ser: pela cura da doença, ou do prazer de adquirir sua casa própria, da aprovação do filho ou filha no vestibular, da viagem de barco durante a tempestade na baia de Marajó, pelo novo emprego, pelo novo carro, enfim por tudo aquilo que foi permitido receber, por mais um ano de vida.

De todas as manifestações de agradecimento durante a procissão, a mais marcante, é com certeza a corda, pois ali, segurando aquele pedaço de esperança, se consegue purificar a alma, com o corpo no extremo das forças, superando o limite da dor, temos piedade do sofrimento do desconhecido ao lado, orando pela sua salvação, lavando o coração, com o espírito do amor de Cristo Jesus. A felicidade estampada no rosto de cada romeiro, contagia a todos, que vão em busca da solidariedade humana, para que possamos transformar o mundo num reino de muita paz e amor.

Mãe querida de todos nós paraenses, que por algum motivo não podemos estar contigo neste domingo, abençoa-nos virgem de Nazaré e intercede junto ao Pai, por nossas famílias e nos conceda sempre o dom da vida.

Vois sois o lírio mimoso, do mais suave perfume ...

Do teu filho, João Maurício Martins.

Ps: O termo círio vem da palavra latina “cereus”, que significa vela ou tocha grande.

Bye, Bye, Maicom! ( Mauricio Martins )

Crônicas & Opiniões | Fonte: Mauricio Martins ( jmauric@click21.com.br ) :: 20/07/2009

 Mauricio Martins Tudo já foi falado sobre Michael Jackson, sua trajetória extraordinária, o legado artístico e a vida enigmática do maior artista pop contemporâneo que o mundo já viu. Mas foi assistindo ao “Fantástico” no domingo (12-07), que resolvi escrever estas breves linhas sobre este inesquecível e controvertido cantor/compositor.

Nas cenas em que aparece, o homem Michael Jackson, brinca com seus convidados (todos crianças) e se mostra alegre, descontraído. Brincadeiras inocentes, que toda criança sapeca gosta de fazer. Ali no seu rancho “Neverland”, a terra do nunca, o fenômeno, mas sempre solitário Michael Jackson, rindo, correndo, fazendo peraltices com seus amiguinhos, externa toda sua necessidade de ser amado, pois embora tenha milhões de fãns por todo o planeta, que o adoram, ele tem necessidade de amor, um amor fraternal, amor de família.

Michael Jackson nasceu negro, num país de forte preconceito racial. Tinha o dom da musicalidade correndo em suas veias, talento esse que logo cedo aflorou. Era necessário conquistar seu espaço, e junto com seus irmãos mais velhos fundou sua banda, na qual, com sua voz suave e graça, era o destaque. A necessidade de faturar seus primeiros dólares e fama forçou o garoto Michael Jackson a ficar adulto precocemente, cresceu nos palcos e estúdio das gravadoras. Debaixo dos holofotes, não viu o mundo que girava ao seu redor, era blindado de fazer as coisas simples de um garoto, sua formação é repleta de lances de sorte e de tristeza, viveu sua infância num campo delimitado pelos negócios e sob a educação rígida e até violenta de seu pai.

Com a sua musica revolucionou a indústria fonográfica, com seus clipes fundou a era do videoclipe. Foi canonizado o “rei do pop”, o maior vendedor de discos de todos os tempos, ganhou fama, e muito dinheiro.

O artista Michael, também foi um visionário e humanitário, em parceria escreveu a musica “Nós somos o mundo”, que arrecadou fundos para combater a fome na África. Mas alguma coisa faltava em sua vida. Pois, mesmo com a sua incalculável fortuna, que permitiu quase todas as extravagâncias que alguém pode cometer, Michael Jackson tinha uma vida incompleta, superficial, uma necessidade permanente de chamar a atenção sobre sua pessoa, com atitudes ridículas para o artista de seu nível, que às vezes, pareciam insanas. E foi no seu refúgio, a terra do nunca, que se transformou em Peter Pan, vivendo do faz de conta, e só não foi feliz, porque esqueceu da fada “sininho”, a única que, com sua varinha mágica, poderia devolver ao homem Michael Jackson , o garoto “maicom”.

Ajuruteua... ( Mauricio Martins )

Crônicas & Opiniões | Fonte: Mauricio Martins ( jmauric@click21.com.br ) :: 19/06/2009

 Mauricio Martins Localizada a 240 km de Belém, distante 35 quilômetros de Bragança. Ajuruteua é a praia mais importante da região bragantina. Na estrada toda pavimentada, e suas inúmeras pontes de madeira, podem-se observar a vegetação de mangue com seus caranguejos, também os ninhais de garças e guarás, que encontram na Ilha da Canela um local seguro para a preservação da espécie. Hoje, a praia, foi invadida pela modernidade e prosperidade. Mas sem compromisso nenhum em preservar, a beleza e o encanto do lugar: torre de celular, restaurantes, pousadas, hotéis, mansões e casebres de madeira, alguns construídos desordenadamente, sem um planejamento urbanístico, agridem a linda paisagem virginal da bela Ajuruteua.

Mas nem sempre foi assim. Poucos bragantinos conheceram de verdade Ajuruteua, um lugar, onde a paz e o amor conviveram juntos no coração de casais enamorados, corpos ardentes e suados, refletiam a energia cósmica da paixão.

Era julho, mês de férias, verão e curtição. Neste mês de muito sol e brisa quente, nossa cidade entrava em ebulição, nossos patrícios retornavam a sua terra natal, as famílias sorriam alegres pelo reencontro, logo vários passeios eram programados para salinas (praia do maçarico) destino dos que podiam gastar um pouco mais, outros se arriscavam na viagem de barco a vela ou a motor (naquela época, único meio de chegar lá) para a nossa praia: Ajuruteua.

E foi assim que aconteceu minha primeira viagem à praia de Ajuruteua. Era um sábado, os agricultores, pescadores e mercadores vinham se abastecer em nossa cidade, e logo no início da tarde voltavam para suas vilas e vilarejos. O barco a motor, entupido de mercadorias e algumas pessoas, tinha como destino a praia de Ajuruteua, eu e um amigo (Sanjeam Jacó), com nossas mochilas nas costas embarcamos nesta aventura. A viagem levava em média de três a quatro horas em dia de mar calmo. Mas em plena travessia da baia do pilão, um forte temporal atingiu nossa pequena embarcação, ondas de até dois metros, se chocavam com o casco do barco, este banzeiro pegou de surpresa os marinheiros de primeira viagem, uns rezavam, outros passavam mal, com toda modéstia, eu fiquei tranqüilo, nadava muito bem, pois meu sonho era servir na Marinha.

Passado este susto, as pessoas recompostas do mal-estar, avistamos de longe as primeiras casas de madeira com cobertura de palha de coco, muito comum na vila, só que devido à tempestade, a viagem estava atrasada e a maré já começara a vazar fazendo com que andássemos algumas centenas de metro com água no joelho, até chegar à terra firme.

Uma paisagem exuberante nos aguardava, um mar esverdeado, uma praia de areia alva, que fazia arder os olhos, num infinito céu azul, os nativos de feições rudes, porém simpáticos, bronzeados naturalmente pelo sol, de sorrisos estampados na face, nos receberam com carinho. Foi um final de semana espetacular, banho de mar, comida farta (todo tipo de peixe), sol e futebol completaram o dia na vila.

Durante a noite, na praia foi improvisada uma fogueira, onde se juntava uma galera mais velha ao seu redor, ali um rapaz de voz suave como a brisa do mar, a dedilhar seu violão, cantava e encantava moças e rapazes do lugar, logo saiu à lua, como a querer apreciar a melodia que saia das notas musicais daquele violão. As estrelas no céu brilhavam pedindo bis, pela canção alegre que aquele rapaz cantava feliz. Este luau só acabou, quando o orvalho da madrugada, banhava do nosso rosto as lagrimas de emoção.

Acompanhei de longe este rapaz e seu violão, sei que ganhou vários festivais, onde sempre cantou lindas canções de amor, a nossa bela e maravilhosa Bragança...

Ps: Esta crônica dedico (in memorian) ao meu “Irmão” PIUCA.

Houve uma vez um Verão ( Mauricio Martins )

Crônicas & Opiniões | Fonte: Mauricio Martins ( jmauric@click21.com.br ) :: 30/05/2009

 Mauricio Martins Nasci e fui criado até meus 18 anos em Bragança, uma linda cidade no interior do Para. O ano 1972, éramos uma turma de jovens saudáveis, alegres e felizes descobrindo o prazer da vida. Nas brincadeiras de moleque, o futebol no campo do Paroquial, o banho no igarapé do Cereja, o passarinhar no Jiquiri, o mergulho no rio Caeté, na croa (banco de areia quando a maré baixa) próximo à ponte da Sapucaia.

Nas festividades de São Benedito, nosso grupo se reunia no arraial da Marujada, onde balançávamos nos “barquinhos” e rodávamos no “carrossel”, antes de tomar nossa “cubra libre” no Rex Bar, para curtir o som dos “Secos e Molhados”na voz sensual de Ney Matogrosso, ora no barracão do juiz, ora no barracão da juíza, tudo era motivo para andar sempre com sorriso fácil no rosto. Mas em nosso coração já despertava o amor, (afinal escutávamos os quatro rapazes de Liverpool) um sentimento puro a inebriar a alma e deixa mais leve o teu ser. O amor encanta a vida, dá suporte e traz conforto na horas difíceis.

Sempre depois das aulas no ginásio Prof. Paixão, sentávamos na praça da Bandeira para conversar e contemplar a linda noite de luar, suas estrelas a brilhar, iluminando aqueles cabelos negros e dourados das meninas, soltos a serem acariciados pela brisa amena que soprava em nossa face. Mas uma menina era especial pra mim, quando ela chegava, com sua meiguice e um lindo sorriso nos lábios, nada mais importava naquele lugar.

Aquela garota era meu balsamo, minha musa inspiradora para continuar a sonhar, minha paixão juvenil, o coração pulsava mais rápido, e uma energia queimava meu peito.

Embora colegas de turma, nunca tive coragem de falar do meu sentimento para com ela, sofria calado e chorava pelo amor não correspondido. Às vezes escondido na esquina, aguardava com ansiedade ela aparecer na varanda de sua casa, não cansava de apreciar sua beleza, ela tinha um olhar magnífico, fui ofuscado pelo brilho de seus belos olhos, capaz de hipnotizar a todos, mas ao mesmo tempo enigmático, às vezes pareciam tristes.

Nos bailes do Time Negra, dançávamos sempre, e às vezes num final de semana, assistíamos um filme no cine Olímpia, ou sentávamos no banco do largo do coreto, nossas conversas sempre entremeadas de risos, tinha um jogo de sedução, mas no final apenas bons amigos. No fim da noite, a levava em casa e ficava sempre feliz com sua despedida, um leve beijo na face, que enrubescia meu rosto, o contato com suas mãos irradiavam meu corpo de emoção. O que eu não ousava contar aos meus amigos deixava que suas mentes férteis fantasiassem sobre nós e foi assim durante dois anos, quando numa tarde de verão, onde as pipas balançavam ao vento, como a se despedir de mim, tive que deixar minha cidade natal.

Desta data em diante posso especular a vontade, mas sempre me faltarão motivos e palavras para continuar. Voltei algumas vezes à Bragança, nunca mais a vi, juntei os fios de relatos alheios, sei apenas que encontrou o amor e casou. Mas o que sei também, é que nunca a esqueci.

Se algum dia encontrar uma lâmpada mágica, quero pedir ao gênio que realize apenas um desejo, voltar no tempo, para realizar minhas fantasias secretas cultivadas longamente, desejando estar exatamente ali, sentindo ser aquele lugar certo onde eu deveria sempre ter estado e dizer com ternura a minha amada, o quanto a amei.

Ps: O título acima é de um clássico e inesquecível filme, roteiro de Herman Raucher.

Lembranças Guardadas no Coração ( Mauricio Martins )

Crônicas & Opiniões | Fonte: Mauricio Martins ( jmauric@click21.com.br ) :: 24/05/2009

 Mauricio Martins O ano era 1964, Eu então com oito anos fui matriculado na escola primária “externato Santo Antônio”, uma das melhores e conceituadas escolas de minha cidade, Bragança.

Ali começou minha formação para a vida, o aprendizado adquirido do conhecimento passado pelas queridas e severas (porém carinhosas) e exigentes professoras Maricota, Pakita e Antônia Ferro, fortaleceram meu caráter e moldaram minha personalidade. Foram anos de um estudo com responsabilidade, onde, na base da “palmatória” aprendi as contas da tabuada, a ler e escrever.

Os castigos aplicados nos conduziam numa direção única, a cobrança para ser melhor aluno e por tabela um ótimo filho, cumpridor das obrigações e deveres na família.

Vestir aquela farda (bermuda marrom e camisa branca) nos deixavam orgulhosos, meninos e meninas eram vistos por outros olhos pela cidade, tudo porque aquela escola oferecia um ensino diferenciado, onde prevalecia o verdadeiro saber (educar e formar cidadãos e cidadãs) para um mundo melhor e mais humano. Nessa escola, não tinha vez para a preguiça, o desleixo ou a desobediência. Nossas professoras exigiam seriedade, e muita atenção nas aulas, mas ensinavam com amor, cada um de nós, era como um filho (sim a escola tem que ser vista como extensão da sua casa) para aquelas amadas mestras.

Uma das datas mais esperadas por nós, alunos do Externato Santo Antônio, era o sete de setembro, dia da Independência do Brasil, quando uma “guerra” era travada pela nossa escola e a escola Anchieta, pois o desfile na avenida, ganhava ares de um grande teatro ao ar livre, as coreografias, os carros alegóricos, com temas e encenações alusiva à data, faziam desta rivalidade saudável, a garantia de uma linda festa, onde as bandas das escolas empolgavam a multidão com seus tarôs, bumbo, caixa de marcação e os acordes das notas musicais que saiam das cornetas. Os alunos orgulhosos e garbosos desfilavam nos pelotões, com passos firmes e olhos altivos, a desafiar o inimigo na sua demonstração de civismo pela pátria amada Brasil.

Era um espetáculo verdadeiro, coreografias mostravam num dia, o trabalho duro de um ano (de ensaios e horas de dedicação) para que tudo desse certo na avenida, nossas mais belas meninas (portas bandeiras) desfilavam seus lindos vestidos, e a multidão acenava suas bandeirolas em reconhecimento as proezas e belezas dos desfiles, esta festa cívica demonstrada pela juventude estudantil de Bragança, contagiava a todos, que, embora com o sol a pino, teimavam em ocupar todos os lugares possíveis na praça da Bandeira, para apreciar com sorrisos de alegria, as belas apresentações das escolas que desfilavam ao som das fanfarras.

O tiro de guerra era uma atração à parte, jovens soldados com suas boinas verdes, fuzis em punho e botinas lustrosas, desfilavam com seus passos largos num sincronismo sem igual, enchendo o peito dos presentes de um orgulho descomunal, afinal todo jovem de dezoito anos tem por obrigação servir ao exercito Brasileiro, naquela época, para defender nossa nação dos comunistas e dos socialistas.

Na escola, externato Santo Antônio, aprendi, mas que ler e escrever aprendi essencialmente o significado de viver, éramos garotos e garotas iniciando sua puberdade, descobrindo os sentimentos mais sublimes da natureza humana: a amizade e o amor. Não dá para descrever nossas emoções, nas folgas do recreio, as meninas, algumas brincavam de “queima”, outras de “bole-bole” e os meninos, uma boa e disputada partida de futebol, com bola de pano (meião com retalhos dentro), onde sempre atrasávamos a volta para as nossas carteiras, pois era necessário tirar um pouco da sujeira impregnada no uniforme.

Já se passaram muitos anos desta fase pueril, a memória não me permite buscar todas as lembranças armazenadas em algum lugar do meu cérebro, tento lembrar de nomes, mas sou traído pelo implacável senhor do esquecimento, o tempo. Sim, porque se o tempo me leva de volta aos meus belos tempos de menino, o mesmo tempo afasta de mim um passado não muito distante, mas cheio de recordações de fatos, que tive o prazer de viver, onde aprendi que a vida é bela, pois em algum lugar do meu passado, meu futuro foi criado, pela dedicação e lições recebidas de minhas amadas, carinhosas e eternas MESTRAS.

“Mande Sua Vaquinha Pro Brejo“ ( Mauricio Martins )

Crônicas & Opiniões | Fonte: Mauricio Martins ( jmauric@click21.com.br ) :: 14/05/2009

 Mauricio Martins Há muito tempo, uma história chamou minha atenção e, desde então, a utilizo para falar num assunto tão polemico e atual: “O Assistencialismo”. Palavra oriunda do verbo assistir, cujo significado: ajudar, socorrer. Adquiriu novo sentido na conjectura social neste imenso e sofrido Brasil.

A história cita um sábio e seu jovem pupilo, que sonhava obter a sabedoria de seu mestre. Ambos percorriam o mundo em busca desse precioso tesouro.

Certo dia, numa dessas andanças, depararam-se com um homem pálido e maltratado pela vida, sentado em frente a um velho casebre de barro. A humilde casa ficava dentro de um pequeno sítio, espremido por grandes fazendas, cercado de montanhas e penhascos.

O mestre cumprimentou o pobre homem e pediu-lhe um pouco de água. Tendo satisfeito sua sede, começou a conversar com o desconhecido. Este hes apresentou os filhos e a esposa, que tinham a mesma cara de fome e os mesmos sinais de uma vida dura e sofrida.

Ao questionar aquele senhor sobre sua fonte de renda, souberam que ele e a família sobreviviam graças a uma vaca. Metade do leite ficava para consumo da própria família e o restante era vendido para comprar os alimentos que faltavam (o que não era muito).

Despediram-se e continuaram sua caminhada pela região. Quando deram por si, estavam perto de um imenso penhasco, e não muito longe dali avistaram a vaca, cujo leite era o sustento da família daquele casebre.

O mestre vendo a vaca pediu que seu discípulo a pegasse e a empurrasse pelo penhasco. O jovem, mesmo achando aquela idéia errada e absurda, obedeceu ao sábio.

Depois de cumprir a ordem, o pupilo arrependeu-se do que havia feito, mas como não podia comprar outra vaca, decidiu separar-se de seu mestre, pois nenhum conhecimento valia a pena destruir a vida de um homem.

Muitos anos depois, o jovem, transformado num rico e bem sucedido executivo de uma multinacional, lembrou-se do que havia ocorrido no passado, e sentindo-se culpado por seu ato decidiu consertar o que provocara. Agora poderia indenizar o dono da vaca.

Em todo percurso ficou pensando em que explicação daria, e torceu para que nada de mau, houvesse ocorrido àquela família por causa da sua imprudência.

Com muito custo, chegou ao lugar que anos atrás, havia avistado o homem. Tudo estava diferente, e para seu desgosto no lugar do casebre uma casa muito boa, com antena parabólica e carro na garagem, até mesmo o espremido sítio havia desaparecido, e em seu lugar uma linda fazenda.

Sua infelicidade foi latente e instantânea, em sua cabeça a cena do pobre homem tendo que vender suas terras para não morrer de fome. Seus olhos encheram de lágrimas, seu coração estava angustiado. Teria que achar de qualquer jeito essa família, mas não sabia por onde começar.

Resolveu se aproximar e perguntar se alguém sabia o paradeiro daquele senhor.

Tal foi sua surpresa, ao ver sair da casa, o mesmo homem, um pouco mais velho, só que desta vez, bem vestido e com feição alegre e saudável.

Cumprimentou o velho que também o havia reconhecido e curioso por saber o motivo do enriquecimento perguntou-lhe o que havia feito para estar em tão boa situação financeira.

O fazendeiro perguntou se ele lembrava da vaca, e com certo constrangimento o homem acenou-lhe a cabeça que sim. Então o velho lhe disse que tudo de bom que havia lhe acontecido era graças à morte daquela vaca.

O espanto do executivo foi enorme. Perguntou como ele poderia agradecer pela morte da única fonte de renda de sua família, e o velho fazendeiro disse-lhe que ao encontrar a vaca morta no penhasco, ficou estarrecido, e decidiu dar outro rumo a sua vida. Com o pouco dinheiro que tinha, resolveu comprar sementes de algodão e plantá-las. Com a venda do algodão resolveu plantar outras coisas, com o dinheiro das outras plantações, conseguiu comprar algumas cabeças de gado, e assim sucessivamente conseguiu multiplicar seu dinheiro e chegou a uma situação bastante confortável. E disse ainda que, se sua vaquinha não tivesse morrido, ainda seria o mesmo homem pobre, sofrido e acomodado e sua família teria o mesmo destino.

Refletindo sobre a história, podemos comparar “a vaca” ao assistencialismo, principalmente nessa época de política, onde o voto é negociado, trocado por sacolinhas, consultas, exames médicos e promessas duvidosas. O que certos políticos querem é que cada um de nós tenha uma vaquinha e viva sempre dependendo de seus favores. Político bom é aquele que cria boas leis, bons projetos que beneficiam a todos e não apenas alguns. Saúde, saneamento básico, educação, emprego não deve ser tido como um favor e sim como um direito garantido a nós pela nossa Constituição.

Minha querida maezinha! ( Mauricio Martins )

Crônicas & Opiniões | Fonte: Mauricio Martins ( jmauric@click21.com.br ) :: 07/05/2009

 Mauricio Martins Sou daqueles que detesta a hipocrisia, prefiro ser autentico, mesmo que certas pessoas não aceitem minhas “verdades”, por isso, ao invés de falar da vida dos outros, prefiro falar da minha.

Lendo o livro de Augusto Cury, “ Maria, a maior educadora da História”, uma imensa saudade abrasou meu coração. E veio à minha memória, a figura de minha querida mãezinha, Rita Martins da Silva, (que neste domingo, 15 de março completa 75 anos).

No livro o autor nos revela a grande coragem de Maria, que aceitou participar do sonho de Deus, o qual se tornou seu próprio sonho, pois, antes de casar com seu esposo José, ao receber a visita do anjo Gabriel e aceitar a proposta de Deus, de conceber do Espírito Santo o seu filho, que vinha para libertar seu povo e por extensão toda a humanidade. Ela não hesitou do convite, mas, Maria teve medo de ser apedrejada (era costume da época), afinal, quem naquela aldeia entenderia a sua gravidez? Como explicar o inexplicável? Que parente a acolheria? Que amiga lhe daria ouvidos?

Qual religioso a entenderia? Maria, não era filha de sacerdote, mas sua relação com Deus era estreita, íntima, ultrapassando o limite da religiosidade. Maria cresceu numa nação em conflito, onde a miséria fazia parte do traçado existencial das pessoas. Roma dominava os povos com tributos pesados, onde o povo trabalhava mais e mais para saciar o luxo do Império e a vaidade do César.

Portanto, Jesus, nasceu neste mundo de miseráveis, excluídos da sociedade e da sua fé, abandonados a própria sorte, mas sem perder a esperança na vinda do Salvador. Com certeza não foi nada fácil Maria educar seu filho Jesus, para ser autor da sua própria história. Maria como toda a mãe curtia seu filho a cada momento, Ela ensinava e aprendia muito, onde a mãe descobria o filho como Ele era, e o filho descobria a sua mãe carinhosa, protetora e bondosa, a casa de Maria era uma escola viva, onde as emoções borbulhavam, a cada nova descoberta de experiências excitantes e assim formou o homem Jesus.

Há 52 anos atraz, também não foi diferente pra uma jovem de 22 anos no interior do Pará, mas precisamente na cidade de Bragança, a chamada mãe solteira, dar à luz ao seu filho, educá-lo com todas as dificuldades de sua época, para este menino, um dia ser um homem de caráter, cumpridor de seus deveres e obrigações.

Quantas vezes, quando ela reclamava de uma pequena dor de cabeça, Eu, criança pedia ao papai do céu pela sua saúde (e ainda faço até hoje), pois tinha medo de perdê-la, imaginava o que seria de mim sem o seu carinho, o seu amor. Minha mãe foi tudo pra mim, às vezes pai, irmã e irmão, meu porto seguro, minha verdadeira inspiração para lutar pelos meus sonhos e objetivos de um dia constituir minha própria família.

Com certeza, foram dias difíceis e horas árduas de trabalho e incertezas sobre meu futuro neste mundo cão, mas graças a Deus e a ti mãe, consegui superar a tudo com muita fé, dedicação e amor.

Mãe, me embala no teu colo, me faz dormir!

Pois dos teus braços fortes, eu nunca esqueci!

Quero voltar a ser criança, teu lindo bebê!

Obrigado meu amor e perdão, se te fiz sofrer!

Ps: - Esta crônica dedico a você mamãe, mulher de fibra e muita coragem. Feliz Aniversário.

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