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O horário político e o voto ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 31/08/2010
Começou o horário político no rádio e na televisão. Eu não gosto muito de falar em eleição, mas li uma cartinha num jornal, e achei muito interessante: “o horário político está de volta e os candidatos vão fazer, de novo, meu ouvido de pinico. Mas eles terão o troco no dia da eleição.” Não é legal? O eleitor sabe que os políticos que querem se aboletar nos mandatos de quatro anos, que aproveitar a “boquinha”, vão prometer mundos e fundos sem a mínima intenção de cumprir, vão mentir pra caramba, vão reivindicar para si inúmeras “realizações”, vão mostrar uma baita ficha limpa que não existe e esconderão a sete chaves a enorme ficha suja, essa sim de verdade, vão tentar convencer de que são a obra-prima da natureza. Mas ele, o eleitor, vai fazer valer o seu direito de escolha e seleção e quando chegar o dia da eleição, não votará em nenhum deles. Se não houver nenhum candidato que mereça o seu volto, voltará nulo.Isso me fez lembrar, também, que na semana passada caminhava eu pelo centro, quando passei por duas senhoras que conversavam sobre a eleição.“Pois não é tudo uma cambada de corrupto? E a gente tem que votar neles!”, diziam elas. Eu não as conhecia, mas não me contive e postei-me ao lado delas, me metendo na conversa: As senhoras não são obrigadas a votar em ninguém. Se sabemos que os candidatos disponíveis não são bons, não são o que queremos para representar-nos, então não devemos votar neles. Se não houver ninguém em quem possamos votar, a única saída e anular o voto, pois só assim ele não vai valer pra ninguém e servirá de protesto para saberem que não estamos satisfeitos com o que está aí. Não existe aquela história de que precisamos voltar em alguém de qualquer jeito, para não “desperdiçar” o voto. Desperdiçar é votar em quem não merece.
Elas olharam pra mim, balançaram a cabeça e concordaram. E eu segui o meu caminho, de alma lavada. As pessoas, todas, deveriam saber como funciona o sistema eleitoral. Mas não é interessante para os políticos, não é?
Por outro lado, terminou o prazo para o eleitor que não estará no seu domicilio eleitoral, no dia da eleição, mas sim em uma capital, votar em trânsito. Este ano seria um teste para ver o que teria que ser aperfeiçoada em pleitos seguintes, como de 2012 e 2014. Para se cadastrar, o eleitor precisou apresentar o título de eleitor e um documento com foto.
Mais de oitenta mil pessoas se cadastraram, segundo o TSE, o que significa que os candidatos a presidente do país terão essa quantidade de votos a mais nestas eleições.
A “novidade” aparece justamente nestas eleições em que o atual presidente é marqueteiro da candidata do governo e vale só para votar no presidente e vice. Não é escancarado demais?
Esperamos que, mesmo aqueles que aprovam o atual governo, levem em consideração que ele está usando o privilégio de ter o poder nas mãos para eleger a sua candidata. Estamos assistindo,mais uma vez, ao desrespeito das leis por quem deveria dar o exemplo.
Nós, que vamos votar, precisamos pesar os abusos e incoerências, conhecer bem as fichas de cada um dos candidatos e saber se podemos votar ou não. O futuro do país é o nosso futuro. Precisamos ter consciência disso e sermos honestos, antes de tudo, conosco mesmo. E não esquecer, também, que se o Brasil continuar neste ritmo, com a saúde falida, com a educação cada vez pior e a segurança cada vez mais inexistente, com cada vez mais corrupção, que futuro terão nossos filhos e netos?
Eu não transferi ainda meu título, até ia me cadastrar para votar em trânsito, mas quando soube que vale só para escolher o presidente, desisti, pois quero escolher também o governador do nosso estado. Prefiro viajar e ir até o meu domicílio eleitoral.
Precisamos fazer escolhas. E fazê-las direito. Ou o futuro de todos estará comprometido.
A fachada e a língua do Brasil ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 16/08/2010
Tenho ouvido declarações do nosso presidente sobre alguns assuntos atuais, como o atraso das obras para a copa de 2014, o pré-sal e outros, na mídia, e fico cada vez mais surpreso de constatar como ele é inteligente, sutil, sóbrio, um gênio. E pior, ainda diz que “se algumas pessoas ficassem de boca calada, não diriam tanta besteira”. Não é de chorar? Como é que deixam ele falar de improviso?Com uma empáfia de quem está criando grandes máximas, ele fala como um peão, como uma pessoa com um mínimo de instrução. Por que será, não é? E pensar que votei nele, no primeiro mandato.
O país está sucumbindo, com a educação cada vez pior, sem segurança, com a saúde falida, mas para ele o Brasil está ótimo, nunca esteve tão bem, tanto que agora está preocupado com as palmadas nas crianças brasileiras, tão educadas com o ótimo sistema de ensino que mudou, no governo dele, para muito, muito, muito melhor: existem alunos de terceiro ano do primeiro grau que não sabem ler ou escrever. Nunca houve tanta corrupção e impunidade como neste governo, mas o presidente está convicto de que tudo vai de vento em popa. Ele tem se aproximado dos piores líderes pelo mundo e acha que isso é uma grande façanha.
O que esse senhor tem tido é sorte, porque o povo brasileiro é um povo trabalhador e guerreiro e tem carregado o país nas costas, apesar do fato de que são os políticos que dão o pior exemplo. São eles que dilapidam o dinheiro público, que é composto da enorme carga de impostos que pagamos, apesar de ganharem imensos salários, totalmente fora da realidade de nosso país, além de uma quantidade enorme de privilégios.
Lula está em final de mandato e, ao invés de se preocupar em resolver problemas como a falência da saúde, da educação e da segurança brasileiras, que não foram resolvidos durante os oito anos de “governo”, enveredou pela campanha, deveras edificante, contra a palmada, pela oferta de asilo à mulher condenada no Irã, melindrando o ditador daquele país, tão seu amiguinho, oferece “adiantamento do 13º aos aposentados, para conseguir votos para Dilma, e por aí afora.
E também dedica seu empenho total à preparação da copa de 2014, quando até aqui, como governante que deveria apoiar um grande evento privado como o Mundial, não havia feito nada para que as obras para dar estrutura ao país para receber tão grande acontecimento, ao menos tivessem começado. Por que será que deixaram as obras atrasarem e, de repente, baixa-se uma medida provisória para dispensar licitação das construções e reformas necessárias à copa em várias capitais brasileiras? Coincidência, não é?
Nós, que vamos pagar a conta, já pensamos que os rios de dinheiro que correrão para fora dos cofres públicos serão maiores do que tínhamos imaginado? Sem licitações, o trem da alegria começa onde terminam os atrasos. E os impostos que pagamos é que cobrem tudo.
Campanha cara, essa da candidata do presidente. Feita às custas de promessas de obras e destinação de recursos para aeroportos, estádios, etc., para ganhar votos para dona Dilma.
Esperaram para usar a liberação de verbas na véspera da eleição, para angariar votos para a candidata. Isso não é usar a máquina do governo para chegar ao poder?
Isto é Brasil. Está na hora de pensarmos melhor quando votarmos. Escolher melhor, analisar melhor cada candidato, saber da sua ficha, da sua vida. E se não houver em quem votar, anular o voto, pois é a única maneira de mostrar que não estamos satisfeitos com o que está acontecendo.
O livro hoje ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 08/08/2010
E a discussão sobre a substituição do livro tradicional, de papel, pelo livro eletrônico, ganhou força, há duas semanas, com o anúncio de que a Amazon, maior vendedora de livros pela internet dos Estados Unidos, vendeu mais e-books do que livros de capa dura nos últimos meses.Não duvido, pois o Kindle, leitor de livros eletrônicos pioneiro e mais popular é da Amazon, é o mais vendido atualmente. A loja vende os livros digitais para o Kindle, mas eles também podem ser lidos no novo leitor multimídia da Aplle, o I-pad. No entanto, precisamos levar em consideração que aquela loja, a Aplle, edita e vende livros digitais, além do livro comum, é o seu forte. Enquanto o resto do mundo vende os livros impressos, tradicionais, tão nossos conhecidos. Então a percentagem de vendas divulgada se refere a centro de venda específico, sem levar em conta a venda dos livros físicos em todas as outras livrarias tradicionais pelo mundo, que talvez não sejam tantas quanto desejaríamos, mas são em grande número. E é só olhar as relações de livros mais vendidos nas grandes revistas semanais e nos jornais em vários países para ver que a venda dos livros de papel estão num crescendo.
De maneira que todo aquele que tem um leitor eletrônico nos Estados Unidos e em vários outros países compram o livro digital na Amazon. O que não tira o mérito das vendas de livro eletrônico, mas não significa que o livro de capa dura, manuseável, folheável, vai sumir. Ele tem vendido cada vez mais.
Com a notícia, voltaram as previsões que vaticinam o fim do livro como o conhecíamos até agora. Há quem dê apenas mais dez anos para que apenas vinte e cinco por cento dos livros publicados sejam impressos em papel.
Penso que a venda de leitores de livros eletrônicos pode continuar crescendo e com isso a venda de e-books também, mas não dou prazo tão curto para que o consumo dele se equipare ao livro de papel. Como já disse, eles deverão conviver harmonicamente. Até porque não há, como já disse, o livro eletrônico disponível em qualquer livraria. As editoras, a não ser a Amazon, a Apple e outras poucas, ainda não estão publicando na versão eletrônica os livros que são publicados em papel. E não sabemos quando acontecerá a equiparação das duas versões, apesar de já se estar pensando nela.
É certo que o e-book é mais barato do que o livro impresso, pois é apenas um arquivo para ser lido em aparelhos como o Kindle ou I-pad ou outro leitor, e o preço desses leitores pode até ser mais barato lá fora do que aqui no Brasil, mas não é tão barato que qualquer um possa comprá-los.
E sempre haverá quem prefira o livro físico, com volume, com cheiro, com textura, sem a necessidade de qualquer aparelho para lê-lo, sem necessidade de qualquer energia a não ser a luz e a nossa vontade de ler.
As notas das escolas ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 26/07/2010
Eu estava para falar dos exames que o governo faz com estudantes do ensino fundamental e de segundo grau para avaliar as escolas – na verdade avaliar a quantas anda a educação no Brasil – e agora que saiu o resultado do Enem, não posso deixar de abordar o assunto.A minha intenção, quando saiu o resultado do exame dos alunos de primeiro grau, era comentar sobre as escolas municipais que assistem crianças dos primeiros anos do ensino fundamental, algumas muito bem avaliadas. E comprovo isso, pois minhas filhas estudaram em escolas municipais no início da vida escolar e a dedicação das professoras e a qualidade do ensino rivalizavam com as das escolas particulares.
Então saiu o resultado do Enem e as notas denunciaram, de novo, o baixo nível das escolas públicas, principalmente as estaduais. E este é o resultado natural, quando nossos governantes não investem na educação, assim como também não investem na saúde, nem na segurança. Então aparecem pedagogos, “educadores”, diretores disto e daquilo, dando desculpas esfarrapadas para as baixas notas das escolas públicas: “as escolas particulares tem melhores notas porque focam no vestibular.” Ora, as escolas têm que focar no ensino de boa qualidade, na educação. “Os alunos das escolas públicas são pobres, por isso não aprendem como os alunos das escolas particulares, que são de famílias com melhor poder aquisitivo.” Também não é desculpa, pois a escola deve priorizar o aprendizado do aluno, não a sua classe social.
A verdade é que os estados e municípios, os nossos governantes precisam pagar melhor nossos professores, para que eles não precisem dar aulas em duas ou três escolas e, decorrência disso, não desempenham bem a sua profissão em nenhuma delas. Professor é uma profissão essencial, que deve ser bem remunerada, porque prepara os adultos que vão estar à frente dos destinos de nosso país amanhã. Por isso devem ser qualificados e capacitados, e devem ser bem pagos para exercitarem seu papel de educadores com a maior eficiência.
Tenho visto o resultado do trabalho de professoras de escolas municipais e estaduais, sei a educação de qualidade que pode ser exercitada, embora essas professoras não ganhem o que merecem.
A sociedade não aceita mais desculpas bobas para o mau desempenho dos estudantes. O MEC mudou o sistema de alfabetização, por exemplo, na década passada, saindo de um sistema que sempre funcionou para um que até hoje é duvidoso. Há criança no terceiro, no quarto ano que ainda não sabe ler e escrever. Ao invés de capacitar os professores, provocam o atraso dos alunos iniciantes no aprendizado da leitura e da escrita. O Brasil precisa cuidar melhor da educação, cada vez mais relegada à própria sorte, cada vez mais à deriva. Nossa educação está cada vez pior e não é culpa dos professores. Tínhamos esperança que a atenção para a educação melhoraria com o senhor Lula, mas parece que ela não era uma de suas prioridades.
Precisamos exigir de nossos políticos mais ações e mais investimentos na educação, que estudem com mais carinho nosso sistema de ensino e a forma de pagar nossos professores.
Jacatirões no jardim ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 18/07/2010
Começou o inverno, mas desde o outono, quando o frio ainda não havia chegado, as flores de jacatirão de inverno – o manacá-da-serra – já tinham começado a florescer. Os manacás-da-serra não são tão numerosos quanto o jacatirão nativo, que floresce no fim da primavera e vai até meados do verão, mas desabrocham lindamente nessa época e colorem e alegram nossos dias frios, até os mais chuvosos, quando a gente não tem coragem de botar a cara pra fora de casa.Inverno não é estação de flores. Não é? Pois floresce o jacatirão de inverno, floresce a azaléia, floresce o flamboiã, floresce o amor-perfeito e outras mais. Então não é, também, uma estação de muitas cores?
No meu jardim, reduzido jardim, único pedaçinho de terra desnuda no meu terreno, tenho meus pés de manacá-da-serra. E eles também estão florescendo espetacularmente, dando um ar de felicidade à frente da minha casa. São muito jovens, pequenos, eu diria quase anões, coisa de menos de um metro de altura. Mas desabrocham muitas e muitas flores, com aquelas pétalas grandes que se abrem brancas e depois vão mudando de cor, passando para o vermelho, num degradê rápido, até chegar ao lilás.
Perto de onde moro existem outros jardins com manacás-da-serra (ou jacatirão de inverno). No supermercado, um pouco mais adiante, existem até majestosas árvores de uns 4 ou cinco metros de altura e por toda a cidade a gente encontra a cor do jacatirão. Mas parece que só eu as vejo. Ninguém comenta, ninguém para um segundinho para admirá-las e eu fico um pouco triste com essa perda da capacidade do ser humano de ver o belo. De olhar e ver.
No supermercado do qual falei acima, por exemplo, existiam cinco árvores fabulosas, mas no ano passado duas secaram. Uma terceira está com os galhos secos da metade para baixo e florida da metade para cima. Só ficaram duas saudáveis, esplêndidas telas coloridas de Mãe Natureza. E ninguém parece ter visto a tremenda perda ou mesmo a beleza das sobreviventes.
Então leio um poema de Quintana e chego à conclusão de que ele, o poeta passarinho, talvez tenha razão, mais uma vez: “Todos os jardins deviam ser fechados, / com altos muros de um cinza muito pálido, / onde uma fonte / pudesse cantar / sozinha / entre o vermelho dos cravos. / O que mata um jardim não é mesmo / alguma ausência / nem o abandono... / O que mata um jardim é esse olhar vazio / de quem por eles passa indiferente.”
Pois então não será isso? Não será por isso que árvores tão belas quanto os pés de jacatirão morrem e a gente fica sem as suas cores?
E o livro brasileiro? ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 12/07/2010
Comparando as listas de livros mais vendidos de duas das grandes revistas semanais de informação brasileiras, chamou-me a atenção o fato de que na categoria ficção, não há nenhum livro de autor brasileiro nas primeiras dez colocações. Na categoria "não-ficção" até há alguns, mas daí, é claro, não estamos falando de literatura - esses livros falam de auto-ajuda, política, moda, etiqueta e até história. Nos dez livros infantojuvenis mais vendidos, de novo, nenhum autor nacional.Isso é uma evidência de que o leitor brasileiro, que já não lê tanto quanto deveria, seja pelo preço do livro, seja pela educação ou falta dela, não gosta de ler os autores da terra.
E a ausência de escritores brasileiros entre os mais lidos é comum, em qualquer época. Lá de vez em quando aparece um, mas na maior parte das vezes é na categoria não-ficção.
Por que será que brasileiro compra quase só livros importados? Por que são melhores? Temos obras de escritores nacionais melhores do que muito enlatado. Mas é claro que quem só lê autores estrangeiros não sabe, porque não leu o autor da terra e não pode comparar.
Talvez porque o livro importado tem muito mais divulgação, já vem com o pacote completo e com status de best seller. Há, até, leitores que só compram os livros que estão na lista dos mais vendidos. E sabemos que a compra, em muitos casos, é influenciada por essas listas, que queremos crer sejam honestas e não tentem apenas induzir o leitor a comprar.
As editoras brasileiras deveriam, talvez, trabalhar mais as obras de escritores da terra. Mas se é tão mais fácil vender os enlatados, que já vem com um rastro de sucesso - que nem sempre é verdadeiro - para que gastar energia e dinheiro com os daqui?
Não que alguns dos livros estrangeiros não tenham valor, mas o livro é negócio para as editoras e elas dão preferência para aqueles que as diversas mídias ajudam a divulgar. Sem despesa para elas.
Nós, leitores, deveríamos ser menos sugestionáveis e dar mais valor à prata da casa, que pode ser melhor que o enlatado.
Precisamos fazer valer nossos direitos ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 05/07/2010
Vocês lembram da crônica “Mais um golpe de operadora”? Pois bem, além daquele problema com a Oi-BrasilTelecom, que tentou me cobrar instalação para acesso à internet sem que eu jamais tivesse usado o sinal deles, venho tendo problemas com o meu provedor de internet há bastante tempo: a velocidade oscila demais e ficava aquém do mínimo que eles garantiam, vinte por cento do contratado, e vivia saindo do ar, pelo menos uma vez por mês. E ficava, às vezes, fora do ar, por dias, dois, três, com desculpas incríveis como “estamos sem eletricidade nos servidores, a culpada é a fornecedora de energia.” Por dias a fio? E sem nenhum desconto na conta, pelos serviço não fornecido?Então fui a Anatel. Levei leituras de velocidade do meu provedor, abaixo do limite por eles garantido e o contrato, que inclui fidelidade de 18 meses. Provei, com as leituras efetuadas com software do próprio provedor, o não cumprimento do contrato, com velocidades inferiores a 20%, que é o que eles garantem, e perguntei se o fato de ficar fora do ar por até 3 dias também não é descumprimento, pois nunca recebi um centavo de abatimento pela falta de serviço. Foi lavrada a ocorrência e quatro dias depois, a Net de São José, que é a empresa que fornece os serviços, em parceria com a Bind Informática (provedor), me ligou dizendo que, por indicação da Anatel, estavam cancelando o meu contrato sem nenhum ônus, conforme eu havia pedido. Os ônus, segundo o contrato, por conta da “fidelidade”, são mensalidades vincendas (isto quer dizer que eu teria que pagar mensalidades futuras, de quando eu não estaria mais usando o sinal deles) e outras despesas como taxa de adesão, taxas de serviços, entre outras (está assim mesmo no contrato: “entre outras”). O acesso foi interrompido no mesmo dia que eles me ligaram e eles já recolheram o modem. Também já passei na empresa e peguei o cancelamento do contrato por escrito.
Já quanto a Oi, não pude apresentar a Anatel a gravação do dia em que eles me ligaram propondo mudança de contrato e prometendo mundos e fundos, porque eles me afirmaram que não fazem gravação quando eles é que ligam pra gente. Cômodo, não? Eles ligam pra gente, fazem propaganda enganosa, prometem benefícios que não vão ser cumpridos, pois sabem que a conversa não está sendo gravada e a gente não pode provar nada. Eu desconfiei e aceitei justamente pra desmascarar, mas quantas pessoas foram enganadas?
O atendente que me ligou me ofereceu mudança de plano, quando na verdade estava me vendendo internet. Quando ele me disse que eu teria direito a 1 mega de internet, eu lhe disse que já tinha internet, que não queria, mas ele insistiu, dizendo que não me seria cobrado nada com respeito ao fornecimento de acesso. Eu não acreditei e não deu outra: quase dois meses depois, apareceu R$ 50,00 reais de instalação de internet na minha conta de telefone.
Foi então que liguei para a Oi e cancelei minha linha telefônica com eles. E fui a Anatel. Fiz a ocorrência e poucos dias depois eles me ligaram, concordando com o ressarcimento daquele valor de “instalação” que não houve. Cancelaram uma fatura de 67 reais que eu tinha recebido e ainda não tinha pago.
Temos que exigir nossos direitos. As pessoas não reclamam e aceitam a roubalheira que lhes é imposta, pagam e deixam por isso mesmo para não se incomodar. Por isso esse tipo de coisa não para e cada vez mais somos explorados.
A Anatel está aí pra isso e não custa a gente ligar ou ir até um escritório deles.
Aliás, na norma que a Anatel impõe às operadoras, está a obrigação de gravar as conversa apenas quando a gente liga pra eles. Fiz ocorrência pedindo a eles que mudem isso, que incluam a obrigatoriedade de gravação também e principalmente quando eles ligam pras gente. Porque é a Anatel que normatiza isso.
Outra coisa: quem é que tem autoridade para normatizar esses contratos absurdos de internet, de TV, etc, que a gente é obrigado a assinar? Deveria haver um contrato padrão, redigido pela Anatel, por exemplo, para acabar com cláusulas ridículas como fidelidade e outras tantas.
Saramago e Ficha Limpa ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 28/06/2010
Não ia escrever sobre Saramago – tanto se escreveu, nestes últimos dias, em todos os jornais, que parece não haver mais nada a dizer, e a morte me entristece – mas volto atrás, depois que li a crônica da jornalista Ana Ribas, minha colega de espaço no jornal A Notícia, “O Mago que fica”. Como eu disse a ela, logo que terminei a leitura, foi a melhor coisa que li/ouvi sobre Saramago, desde a notícia da morte do escritor português, na sexta. Sem empolamento, com sensibilidade e simplicidade, ela disse bem e emocionou.Confesso que li, até agora, apenas um livro de Saramago, o único escritor de língua portuguesa a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. Lerei, com certeza, os outros todos, pois já pude ter uma amostra do estilo e da qualidade da escritura dele e sei o que ele representa para a literatura não só portuguesa, mas mundial.
Ele esteve em Santa Catarina, em 1999, logo depois de ganhar o prêmio máximo da literatura, fez palestras, deu entrevistas, conheceu Santo Antônio de Lisboa e recebeu o Prêmio Honoris Causa, da UFSC.
Ficamos órfãos de um pensador sensível e sincero, que nunca se atrelou a nada e sempre teve a coragem de dizer o que sentia.
Sua obra já figura entre os clássicos da literatura universal. O homem, Saramago, fiel as suas idéias e convicções, transcende a vida e se torna imortal através da palavra.
E, mudando de assunto mas nem tanto, porque falamos de uma pessoa íntegra, como gostaríamos que fossem os nossos políticos, a Ficha Limpa, agora é lei no Brasil. Promulgada em 4 de junho, a Lei Complementar 135 já está valendo para as eleições deste ano, segundo parecer do Tribunal Superior Eleitorial, consultados acerca da validade da lei em 2010 e sobre os casos em que se aplica.
Além de valer já neste ano, deverá impedir registro de candidatos que tenham sido condenados por órgão colegiado antes da publicação da norma e, ainda, aumentar prazos de inelegibilidade de três para oito anos para quem está sendo processado ou já foi condenado com base na redação anterior da Lei das Inelegibilidades.
Isto significa que a esperteza dos políticos que mudaram um verbo, na proposta original do projeto da Lei Ficha Limpa, para que não fossem alcançados por ela, não funcionou.
A lei deverá ser aplicada aos candidatos condenados por um grupo de juízes antes mesmo da sua promulgação. Por 6 votos a 1, o plenário compreendeu que a alteração verbal não altera o principal objetivo da lei, que é resguardar o interesse público.
Vitória para o povo, que quer uma safra de novos políticos que trabalhem pelo interesse dos cidadãos, mais transparência na política brasileira, que precisa de candidatos decentes para que possa votar em alguém nas próximas eleições. Vamos ver o que acontece daqui para a frente, vamos conferir se realmente a lei será cumprida, se todos aqueles que tem ficha suja ficarão de fora.
Os corruptos de plantão tentarão algum meio de se livrar, então cabe a nós verificarmos as fichas dos candidatos – agora podemos pesquisar e saber, tudo está na internet – e fiscalizarmos. E não votar nos candidato que não tenha ficha limpa.
Escolas sem Bibliotecas ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 21/06/2010
Essa história de que toda escola deve ter uma biblioteca é velha. Foi assinada, no final do mês de maio, uma lei que determina que não pode haver, doravante, nenhuma escola sem a sua biblioteca. Só que o governo já alerdeava isso quando da promulgação da Lei do Livro, ou Política Nacional do Livro, assinada pelo presidente do país em 2003.Naquela lei, consta que “o Poder Executivo deve implementar programas anuais para manutenção e atualização do acervo de bibliotecas públicas, universitárias e escolares, incluídas obras em Sistema Braille.” Manutenção e atualização esbarra sempre em “falta de verba”. Obras em braile, então, nem pensar.
Consta, também, que “A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios consignarão, em seus respectivos orçamentos, verbas às bibliotecas para sua manutenção e aquisição de livros.” Como é comum no Brasil, a lei existe, mas o cumprimento...
Mas, agora, a lei é específica: toda escola deve ter a sua biblioteca. E não um cantinho com uma estante e alguns livros, não. É biblioteca, com acervo decente, com bibliotecário, tudo certinho como deve ser.
Só que o próprio poder público, logo em seguida à assinatura da lei, já vem com a desculpa que será difícil, demorado e dispendioso cumpri-la, pois será necessário construir 25 bibliotecas por dia até 2020.
Por essa previsão, podemos ver a imensa defasagem de bibliotecas nas escolas brasileiras. Vinte e cinco bibliotecas por dia, por 10 anos, é muita, mas muita biblioteca mesmo. A maioria das escolas neste país não tem biblioteca.
O déficit, no primeiro grau, é de noventa e três mil bibliotecas, a maioria em escolas públicas. Mas existe escola particular que também não tem. No ensino médio, a situação é um pouquinho melhor, mas também há muita escola de segundo grau que não tem a sua biblioteca.
Como ter uma educação de qualidade, se nossas escolas não têm bibliotecas? Que se cumpra a lei e que se comece a construir as 25 bibliotecas por dia, de preferência bem mais do que 25, para que não tenhamos que esperar até 2020 para que toda escola tenha seu acervo de livros.
E que nós, cidadãos de qualquer comunidade desse Brasil, cobremos isso do poder público, para que não leve bem mais do que o prazo que eles deram, o que é muito provável acontecer.
As reprises que pagamos ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 15/06/2010
Fico cada vez mais indignado com a maneira como a gente é roubado. É na conta de telefone, na conta da água – de vez em quando vem uma conta astronômica e não adianta reclamar, porque somos nós que temos que provar que não devemos aquilo; nos boletos, onde cobram de nós a taxa bancária que deveria ser paga pelo cedente; na conta de internet – ficamos sem sinal por dias a fio, a velocidade vive oscilando e não raro fica abaixo dos dez por centos que eles garantem, o que já é um absurdo, mas a conta no final do mês sempre vem integral, e outras contas mais.Uma das contas que venho questionando é a de TV a cabo (ou satélite, que seja). Já diminuí o pacote, mas continuo me sentindo roubado. A gente paga uma fortuna de TV, para ter opção de escolher alguma coisa menos ruim para assistir, para variar, mas o que temos é reprise, reprise, reprise.
Os programas, seriados e filmes passam no horário nobre e depois repetem de madrugada, de manhã e de tarde. Alguns dias depois, repetem de novo, mais adiante de novo e de novo. Alguns filmes passam quase todo dia, como “Bridget Jones”, “Escorpião Rei”, “O Retorno da Múmia” e outros tantos dos quais não lembro e nem quero lembrar os títulos. Há dias, inclusive, que o mesmo filme passa em dois canais diferentes. Aliás, os filmes constituem um problema à parte, pois todos os canais (ou redes) parecem poder comprar os mesmos filmes. Então eles repetem exaustivamente num canal e repetem também em vários outros canais. Há filmes que passavam quando eu assinei pela primeira vez a TV a cabo, há mais de dez anos, que passam hoje, ainda.
Com dezenas de opçoes, a gente senta pra ver alguma coisa e busca por todos os canais, mas não há nada de novo. É tudo reprise. Até noticiário é reprise, se você viu à noite, no dia seguinte de manhã já sabe de quase tudo. Se viu algum jornal na TV durante o dia, à noite você já terá visto a maioria das notícias.
Para que, então, pagamos tão caro uma profusão de canais que ficam nos empurrando goela abaixo um monte de reprises?
Parece que a coisa mais fácil, atualmente, é fazer a programação de um canal. É só ter meia dúzia de filmes, seriados ou algum outro tipo de programa e repetí-los incansavelmente.
Não seria mais honesto termos menos canais e mais programação? Não está na hora de cobrarmos menos reprises pelo que pagamos? Nem falo na qualidade. Esse já é outro capítulo.
Leitura para os deficientes visuais ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 06/06/2010
Leio sobre a falta de disponibilidade de livros digitalizados, pelas editoras, para que os deficientes visuais possam “lê-los”, com a ajuda de software específico. Segundo a matéria, o sistema computacional para sonorização dos textos digitalizados é baseado no uso intensivo de síntese de voz – produção artificial de voz humana. Transforma a forma digital dos arquivos em ondas sonoras. O programa é caro, mas existe uma versão demo que pode ser usada satisfatoriamente.Um leitor cego reclama que a Política Nacional do Livro, especificada no 1º capítulo da lei nº 10.753, de 30 de outubro de 2003, garante o acesso à leitura deve ser assegurado aos cegos. Mas na realidade não é o que acontece. Há muito poucas obras em braile e pouca digitalização de obras mais atuais.
Segundo a lei, os deficientes visuais poderiam ir a uma livraria ou qualquer outro ponto de venda para ter acesso aos livros do seu interesse, em vez de depender exclusivamente de doações do governo e outras instituições. Poderiam encomendar os títulos desejados, que seriam providenciados. Consta, também, que “os próprios pontos de venda se encarregarão de fazer o pedido às editoras e, mais tarde, entregar os títulos em arquivos digitais que os clientes poderão levar embora e imprimir numa impressora Braille”.
Na verdade, as livrarias não acolhem encomendas e oferecem, apenas, o pouco que têm em braile, quando têm. Parece que não há interesse, por parte de editoras, em imprimir mais livros em braile para vender aos deficientes visuais, ainda que eles sejam em grande número e, portanto, um nicho de mercado promissor.
E a reclamação do radialista cego entrevistado tem razão de ser, pois a lei promete uma coisa que não é cumprida. Os arquivos digitalizados, mencionados na lei, já seriam de grande ajuda para quem tem o programa de leitura citado e é o que ele reivindica. Nisso, o livro eletrônico, que começa a aparecer, poderia ajudar, se puder ser lido pelo software mencionado.
Já o trecho da lei que coloca a responsabilidade de imprimir em braile os arquivos digitalizados é um disparate, pois dá a impressão que todo cego tem uma impressora apropriada para fazê-lo, o que absolutamente não é verdade.
Então, como é comum neste nosso Brasil de Deus, essa é mais uma lei que não é cumprida. Precisamos votar em políticos que façam o seu trabalho – coisa difícil, não é? – qual seja fazer com que os direitos mais básicos do cidadão brasileiro sejam cumpridos.
Mais um golpe de operadora ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 23/05/2010
Fui assinante da Brasil Telecom por todo o tempo que ela “operou” por aqui. Há quase dois meses, quando já era Oi, ela ligou para mim, perguntando se eu tinha prestado atenção na minha conta telefônica, que estava muito alta, se eu não queria mudar de plano, para pagar menos. Realmente a minha conta estava salgada, beirando os duzentos reais.Então o atendente da Oi, ou Brasil Telecom, começou a contar umas histórias, tipo “quando a esmola é muita o santo desconfia”. Que eu pagaria, se mudasse o plano, apenas R$ 79,90, teria 1000 minutos para usar e não haveria excedentes. E além disso, teria direito a internet de 1 mega. Eu duvidei, é claro, e disse a ele que já tinha internet e não queria. Mas ele não desistiu, disse que fazia parte do pacote e se eu não usasse não tinha problema.
Voltei o filme e perguntei que história era aquela de sem excedente e ele repetiu que depois que usasse os mil minutos, poderia continuar ligando e recebendo ligações da Oi-Brasil Telecom, que não seria cobrado nada além do valor acordado. Perguntei a ele se não cobrariam nada relacionado à Internet, que eu não usaria, e ele confirmou novamente que não, não seria cobrado absolutamente nada.
Mesmo não acreditando, mudei o meu plano para o que ele ofereceu e fiquei esperando até que viesse a segunda conta depois da mudança, para ver o que aconteceria. Chegou na semana passada, no valor de 201 reais e alguns centavos. E, pior, cobrando R$ 50,00 de instalação de internet. Ora, eu não uso a internet da Oi, ninguém veio a minha casa para fazer instalação, até porque eu não chamei, então como é que me cobram cinquenta reais?
Liguei pra lá para pedir explicações, mas a atendente verificou a minha conta e disse que estava tudo certo, que eu tinha contratado internet com telefone e que cobraram a taxa de instalação. Não adiantou eu explicar que o cara que me vendeu o produto contou um monte de mentiras, que eu não uso a internet deles.
Como eu já esperava isso e liguei mesmo para acabar com a conta, disse que queria cancelar a minha linha. Foi aí que me passaram para outra atendente e eu fiquei meia esperando “um momentinho”. Mas resisti e aguentei até o final para encerrar aquela linha. Pedi a gravação de quando me venderam o pacote, para provar, junto a Anatel, que o atendente estava contando um monte de histórias que não seriam cumpridas para vender produtos e ganhar a comissão dele. E para reaver a grana da internet que eu não usei, pois fui descaradamente roubado.
Atentem, quando ligam da Oi-Brasil Telecom para vender produtos ou oferecer mudanças. Tentem encontrar uma operadora mais honesta, se é que isso é possível.
Os escritores e os livros eletrônicos ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 16/05/2010
O livro eletrônico tem sido assunto recorrente, nos últimos meses, em revistas, jornais, televisão e internet. O e-reader, leitor de livros eletrônicos, como o Kindle, já estava em ascensão desde o ano passado. Com o aparecimento de um novo leitor multimídia, mais moderno, com mais recursos além da leitura de livros, jornais e revistas, no início deste ano, o assunto ficou ainda mais em evidência.Falo do I-pad, que já vendeu dois milhões de exemplares, inclusive no Brasil, apesar de não podermos comprar livros na loja da Apple. No entanto, com a instalação de um programa específico, pode-se comprar livros do Kindle para ele. O novo leitor permite ver filmes, jogar games, usar aplicativos de texto, navegar na internet, usar o correio, etc.
Com toda essa revolução em ebulição, nós, escritores, além das editoras, precisamos nos antenar e pensar em aderir ao e-book, o livro eletrônico. Precisamos fazer isso porque o livro tradicional, impresso em papel, vai acabar? Não, isso não vai acontecer tão cedo. Vai demorar bastante para o livro eletrônico suplantar o livro como o conhecemos até agora. Talvez isso nem aconteça.
Mas nós, que publicamos livros, precisamos entrar nesse novo mercado e, além do livro impresso, é bom pensar em providenciar também a versão eletrônica, para conquistarmos também os leitores que já estão usando os e-readers, os leitores dos e-books. Mesmo aqueles escritores que se consideram alternativos.
A verdade é que muitos de nós já publicava, desde meados da década passada, seus livros eletrônicos, colocando-os na internet, para serem baixados de graça. Ninguém cobrava nada. Agora é hora de começar a pensar em colocar os livros em lojas virtuais, tentar vendê-los, pois o preço de um livro eletrônico é bem convidativo, menor do que o preço do livro impresso e isso pode significar alguma venda.
Estou apressando, com isso, o fim do livro tradicional? Não, porque como já disse, isso não vai acontecer. O preço dos leitores eletrônicos ainda é bem salgado e nem todo mundo vai poder comprar. Então, o livro de papel, manuseável, aquele que prescinde de qualquer fonte de energia a não ser a nossa vontade de ler, vai continuar, sim, por muito e muito tempo.
Mas é necessário que nos adaptemos às novas tecnologias, que podem caminhar paralelas aos recursos que já existiam e que continuarão existindo.
Tanto tempo sem Quintana ... ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 09/05/2010
Quintana dizia que, quando morresse, ele “queria apenas paz para endireitar alguns poemas tortos. Levaria junto apenas as madrugadas, pôr-de-sóis, algum luar, asas em bando, mais o rir das primeiras namoradas”. A saudade do poeta “passarinho” já dura dezesseis anos. Quintana partiu para um nível superior onde as mortes são registradas como nascimentos, acreditava. “Tenho pena da morte - cadela faminta - a que deixamos a carne doente e finalmente os ossos, miseráveis que somos... O resto é indevorável”. Quintana foi encher o céu de poesia em 5 de maio de 1994. Com certeza estará fazendo poesia em parceria com Coralina, Pessoa, Drummond, o nosso anjo poeta.Aliás, tornar a poesia conhecida e apreciada era com ele mesmo. Foi ele que, com talento e afinco, levou a poesia para as páginas de jornal, popularizando-a, através “Do Caderno H”, que assinava no Caderno de Sábado, do Correio do Povo de Porto Alegre.
E por falar em Porto Alegre, a cidade nunca mais foi a mesma depois que o poeta fez uso de suas asas – Érico Veríssimo é testemunha: “...descobri outro dia que o Quintana, na verdade, é um anjo disfarçado de homem. Às vezes, quando ele se descuida ao vestir o casaco, suas asas ficam de fora.” – e subiu para o andar de cima. A feira do livro gaúcha, a mais tradicional do Brasil, da qual o poeta era a presença mais ilustre, a representação viva de um grande evento, continua firme, talvez até por isso, para cultivar e imortalizar o símbolo maior daquele festa de cultura. Parabéns, poeta. De presente para você, as flores do manacá-da-serra, que começam a desabrochar, com a proximidade do fim do outono e as borboletas, que habitam o meu pequeno jardim, que botam ovos nas minhas folhas de couve e dão origem a dezenas, centenas de larvas que devoram tudo e deixam só os talos, mas eu nem ligo, porque sei que dali sairão os poemas esvoaçantes e coloridos, pequenas obras primas da natureza que me lembram você.
Nosso planeta Terra ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 02/05/2010
E tivemos o dia da Terra, em uma época muito a propósito para refletirmos e nos conscientizarmos de que há uma necessidade urgente, urgentíssima, de cuidarmos do nosso planeta, de pararmos de agredi-lo, de passarmos a tratá-lo com o devido respeito e carinho para que possamos ter essas mesmas coisas de retorno.O planeta Terra é o nosso mundo e, se continuarmos a maltratá-lo, a destruí-lo, que futuro poderemos esperar? A natureza é a alma da Terra. E ela está se cansando de tanto descaso, de tanto desrespeito, fato que pode ser facilmente constatado, se prestarmos atenção nas tragédias climáticas que vêm acontecendo, como tempestades, furacões, enchentes, terremotos, etc. Mãe Natureza se rebela diante de tanta irresponsabilidade do ser humano, qual seja no cuidado do seu meio-ambiente, da sua água, do seu ar, do seu mar, do seu chão.
Então é hora de pararmos para repensar nossas ações e pensar mais no nosso planeta, passar a respeitar a natureza como ela merece. Fazemos parte dela, então estamos agredindo a nós mesmos, estamos podando o nosso próprio futuro, estamos apressando o fim do lugar onde vivemos.
Para onde vamos, quando não for mais possível viver no Planeta Terra? Não foi encontrado, ainda, nenhum outro planeta onde o homem pudesse viver. E mesmo que houvesse, iríamos tomar posse dele para destruí-lo, também?
Leio, aqui mesmo neste espaço, a crônica da minha amiga Mary Bastian, na qual ela fala do corte de árvores indiscriminado em Joinville e do Rio Cachoeira morto, mas não sepultado. Onde está o nosso senso de preservação, se assassinamos um rio? E um rio morto é um pedaço da natureza que morre com ele, árvores cortadas são outro pedaço e assim lá se vão vários pedaços, até que não sobre nada. É isso que queremos, que nosso planeta caia aos pedaços, vá explodindo devagarinho, por nossa falta de consciência?
A Terra pede socorro. Há que pensemos nisso e há que façamos com que todos os dias, que cada dia seja o dia do nosso planeta Terra. Há que tomemos atitudes, para que nos próximos anos possamos estar aqui para comemorar esse dia. Esperemos que não seja tarde demais.
O Crime da Omissão ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 23/04/2010
O que aconteceu foi crime, do mais grave, perpetrado por administradores das nossas cidades, e não é só de Niterói, do Rio. É o mesmo de muitos outros governos também, que não fizeram seu trabalho mais básico, que é prevenir tragédias que podem vitimar a população. A omissão e o descaso foram as armas do crime.Os dirigentes de nossas cidades dizem que não conseguem remover as pessoas que invadem as áreas de risco. Pois não deveriam ter autorizado, desde o início, a ocupação de qualquer área sabidamente condenada, como as que estão deslizando. A função do poder público é essa. E não digam que não autorizaram, pois há luz, água, telefone, cobrança de IPTU, esgoto (sem nem mesmo haver esgoto, em alguns lugares) e lixo (não é irônico?), nas famigeradas áreas condenadas.
E quanto a tirarem as pessoas dos locais de risco, se tirarem antes que todas elas sejam vítimas do pouco caso e da desumanidade daqueles em quem votamos, essas pessoas devem ser colocadas em local seguro, e não largadas na rua, sem ter para onde ir.
Mas a eleição está aí. Será que vamos saber votar, sacando fora esses administradores incompetentes que aí estão?
O problema, um grande problema, é saber que há a probabilidade de não termos candidatos decentes em quem votar. Aí sobra uma única alternativa, a de anular o voto para que percebam que não estamos satisfeitos com o atual estado inaceitável de nossa administração pública.
Porque as coisas têm que mudar neste nosso país. É urgente. Senão, muito mais pessoas morrerão, vítimas de tragédias provocadas, armadas, anunciadas.
Pedágio em dobro no RG ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 18/04/2010
Voltei do Rio Grande do Sul recentemente. É sempre muito agradável visitar a Serra Gaúcha, passear por Nova Petrópolis e região, mesmo estando o calor que estava nos dias antes da Páscoa por lá, temperaturas quase comparáveis à cidades catarinenses como Joinville e Blumenau.Apesar de gostar muito de Nova Petrópolis, sempre que vou para lá, volto com a mesma indignação. Explico: não vou pela BR 101, que ainda está em obras, vou pela 116. Acontece que o trecho gaúcho tem quatro pedágios até Nova, a R$ 6,00 (seis reais) cada, pasmem. E as estradas nem são aquele brinco, não, tem muito remendo, trechos tábua de lavar roupa e, pior, não são duplicadas. Pelo preço que se paga, deveríamos ter uma estrada duplicada e totalmente nova, nos moldes das melhores estradas européias.
O cúmulo é a distância entre dois daqueles pedágios: apenas vinte quilômetros. Um fica na entrada de Vacaria e outro na saída daquela mesma cidade. O que me deixa indignado não é só preço absurdo. É que não vejo ninguém contestar, não vejo ninguém reclamar, não se publica nada a respeito. No ano passado escrevi um artigo sobre o assunto e mandei para diversos jornais, mas não soube de nenhum que tenha publicado.
Parece que há um silêncio generalizado sobre o assunto, ninguém comenta, ninguém reclama e fica tudo como está. Viajo para lá há mais de dez anos e as coisas continuam ruins. Pagava-se tão caro como agora e as estradas eram até piores. E hoje não estão boas o suficiente, se considerarmos o preço elevadíssimo que pagamos. A BR 101, no trecho do Paraná e Santa Catarina, tem pedágio desde o ano passado e pagamos, atualmente, com recente aumento, R$ 1,20 (um real e vinte centavos).
E não posso deixar passar outra boa, que li no jornal Pioneiro do dia 2 de abril: A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, dava declaração “pedindo que deputados aprovem o projeto de lei que permite ao governo executar obras em trechos de pedágios privados, para continuar a obra no trevo para Flores.”
Ora, a ilustre governadora quer fazer obras em trechos de estradas entregues à operadoras de pedágio que cobram seis reais por cada carro de passeio (nem prestei atenção nos outros preços) que passa pelos seus pedágios, dois deles com distância de vinte quilômetros entre um e outro?
Significa que ela quer usar o suado imposto que o contribuinte paga para fazer obras que a concessionária tem o dever e o dinheiro, de sobra, para fazer? O usuário vai pagar duas vezes as obras a serem executadas, pois além do valor astronômico do pedágio, ainda paga os impostos que formam o bolo que é o dinheiro público que a “generosa” governadora usa para execução do trabalho. Será que isso vai ficar assim? Não há nada nem ninguém que interfira, para evitar tamanho desperdício e tamanho absurdo?
Depois, ela reclama que tornam a vida dela um inferno...
O Poder Público e as áreas de risco ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 10/04/2010
Venho falando há anos da irresponsabilidade, para dizer o mínimo, do poder público, no que diz respeito à ocupação de áreas de risco em nossas cidades. Tenho denunciado repetidas vezes o descaso de nossas “autoridades”, que autorizam a construção de moradias em lugares que jamais poderiam comportar benfeitorias.Com mais uma grande tragédia, a do Rio de Janeiro, que tem suas encostas despencando com chuvas torrenciais, causando a morte de centenas de pessoas que moram naqueles locais de alto risco, o assunto veio à tona também aqui em Santa Catarina. Mais pessoas, em nível nacional, têm denunciado a má adminstração pública das áreas de risco, como geólogos, ambientalistas, ecologistas, etc.
Repórteres da televisão foram verificar como está a situação nos locais onde já aconteceram tragédias nos últimos anos, em nosso Estado, e o que foi constatado é que não só não se fez nada, como as construções em áreas perigosas continuam.
A verdade é que é crime o que vem acontecendo, pois o poder público de nossas cidades não faz nada para coibir a ocupação de áreas que não devem ser usadas para construir residência. E mais: como no caso do Rio, o próprio poder público fez pior, depositando lixo na encosta do morro, por muito tempo, transformando a área em lixão e depois autorizando que as pessoas usassem a área para morar.
As pessoas estão morrendo, vítimas de deslizamentos de encostas, estão sendo feridas e perdendo tudo porque não foram impedidas de ocupar lugares proibidos.
E não me venham dizer que não é isso, pois nesses lugares há luz, água, há urbanização e não é de duvidar que as pessoas ali estabelecidas estão pagando IPTU.
Então os administradores que permitiram as ocupações ilegais deveriam ser responsabilizados.
Esperemos que, pelo menos daqui para a frente, isso seja corrigido. E que a médio prazo, aqueles que já estão nas áreas de risco sejam realocados. Para que não aconteçam mais tragédias como as do Rio e como as que aconteceram em Ilhota, Blumenau e em outras cidades.
E, cá para nós, que os políticos não queiram colocar a culpa também na natureza. O que está acontecendo é apenas resultado do pouco caso e desrespeito do ser humano para com o seu meio ambiente e da incompetência em administrar.
Caso Isabela, caso Gabrieli e a Justiça ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 04/04/2010
Na semana passada, bem à véspera do julgamento do casal Nardoni, em São Paulo, pelo assassinato da menina Isabela, houve uma reviravolta no caso da menina Gabrieli, encontrada morta em uma igreja de Joinville. É curioso, pois os dois casos são semelhantes.O Tribunal de Justiça encontrou falhas na investigação e decidiu anular o julgamento que condenou Oscar Gonçalves do Rosário, suspeito de ter abusado sexualmente e depois assassinado a menina Gabrieli Cristina, de três anos. O processo que investigou, julgou e condenou o pedreiro a 20 anos de prisão, foi cancelado em sessão do TJ de Santa Catarina, do dia 25 de março, por irregularidades encontradas no processo de investigação da polícia e por falta de provas e indícios.
Tudo leva a crer que o que houve foi um acidente, segundo a desembargadora Salete Sommariva, mas o caso deve voltar a ser investigado do início.
A reviravolta, é claro, estourou na mídia. A RBS entrevistou o advogado e professor de Direito Alceu Pinto Júnior, também criminalista, que se propôs a esclarecer alguns pontos do caso. Uma das perguntas que o âncora do Jornal do Almoço fez ao especialista, foi: “Caso não se consiga comprovar o crime, Oscar pode ingressar na justiça pedindo indenização pelos três anos que ficou preso?
A resposta de Alceu, exatamente o que foi dito no ar: “Tecnicamente pode, também não é o comum, porque é um direito que tem o estado de fazer apuração. No momento que ele está sofrendo, ele está sofrendo o exercício desse direito do Estado de apurar um crime que ocorreu, um evento que ocorreu. Mas ele pode fazer esse requerimento, que será analisado judicialmente.”
Não sou especialista como o advogado esclarecedor, mas acho que ele devia rever a sua resposta. Quer dizer que o Estado pode prender qualquer cidadão, eu ou ele, por suspeita de um crime, porque é um direito do Estado fazer isso? Que direito é esse? Onde está escrito? E o meu direito, e o seu? Desde quando se pode prender alguém e condenar sem provas suficientes? O Estado pode manter alguém preso, mesmo não conseguindo indícios comprobatórios de que aquela pessoa é a culpada?
Sabemos que Oscar, condenado indevidamente, pode vir a ser investigado novamente. Mas é preciso que tudo seja feito corretamente, que a justiça seja feita honesta e eficientemente, para que se chegue à verdade.
Nossa justiça já anda carente de credibilidade, não é de agora. Com casos de erros inaceitáveis como esse, então... Podem até provar, em uma nova investigação correta e criteriosa, que Oscar é culpado, o que não acho muito provável, mas o erro crasso cometido permanece, gritante. E notem que o erro foi reconhecido pelos desembargadores do TJ, ou seja, pela própria justiça.
A Lei do Livro e as Bibliotecas ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 28/03/2010
Lendo, há algum tempo, notícia sobre a Lei do Livro, lembrei-me da necessidade de as bibliotecas municipais e escolares terem, em seus acervos, os clássicos da literatura brasileira e portuguesa e também as obras de autores contemporâneos. É de importância vital que as bibliotecas das escolas tenham clássicos como as obras de José de Alencar, Machado de Assis, Joaquim Manoel de Macedo, Bernardo Guimarães, Aluísio de Azevedo, Graciliano Ramos, Érico Veríssimo e outros autores representativos, pois do contrário, os pais de alunos de primeiro e segundo grau vão continuar tendo que comprar esses livros, além de títulos de autores atuais, no enxoval de seus filhos, todo ano. E sabemos que é pesado, muito pesado para a maioria dos pais que têm filhos na escola pública, comprar diversos obras que são pedidas a cada ano, para as aulas de língua e literatura, além dos livros didáticos, todo o material escolar, uniforme, etc.Muitas escolas e muitas cidades, pelo Brasil afora, nem sequer têm biblioteca. Muitas bibliotecas existentes em algumas escolas e em algumas pequenas cidades do interior (e nas grandes, também!), têm um acervo de livros antigos, dificilmente atualizado, por falta de recursos, por falta de repasse de verba para isso. Moro numa capital e vejo isso há um bom tempo: é frustrante procurar um lançamento, um título novo na biblioteca municipal ou estadual, pois não é muito provável que o encontremos.
Nas escolas, o professor pede um livro que a biblioteca da escola não tem e o aluno vai procurar na biblioteca municipal, se ela existir, e pode não encontrá-lo lá, também, tendo que comprá-lo. Muitas bibliotecas escolares e municipais, aumentam seus acervos com doações. Eu mesmo já doei muitos livros para iniciar ou ampliar algumas bibliotecas de escolas do interior, pois quando a gente muda de uma casa para apartamento, acaba não tendo espaço para guardar todos os livros.
Há alguns anos, o MEC distribuiu livros para os alunos da quarta e quinta séries do primeiro grau das escolas públicas – cinco títulos de clássicos para cada aluno – e trinta para as escolas começarem uma biblioteca ou ampliar onde já existia uma. Isso deveria ter dado um impulso na criação de novas bibliotecas em escolas de todo o país, o que na verdade não aconteceu. Com a nova Lei do Livro, uma política nacional do livro que determina que “a União, os estados e os municípios passem a destinar verbas anuais para construir novas e manter as atuais bibliotecas públicas do país” teria vindo em muito boa hora, para que nenhuma cidade fique sem um lugar apropriado onde localizar os clássicos e também novos lançamentos do mercado. E para que pais não tenham que comprar livros que não podem pagar e os filhos não acabem lendo apenas resumos das obras.
Infelizmente, como tantas outras leis, essa também não está sendo cumprida à risca.
A nova lei de Direito Autoral ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 21/03/2010
Volta à baila as alterações na Lei de Direito Autoral. Em abril, finalmente, a Casa Civil deve apresentar o texto com as mudanças e ainda naquele mês, conforme o Ministério da Cultura, ele deve estar na internet para consulta pública, para depois ir ao Congresso.Já falamos dessa nova Lei de Direitos Autorais. O governo quer criar, com a nova lei, o Instituto Brasileiro de Direito Autoral. A nova entidade deverá “fiscalizar e dar transparência à atuação dos órgãos arrecadadores”. Mas os artistas que têm direito de receber por eventuais reproduções de suas obras não concordam com a boa intenção do novo IBDA, vendo nele, isto sim, a intervenção do Estado em negócio de direito privado.
A verdade é que a arrecadação de direitos autorais está bem bagunçada e não tem, atualmente, controle algum. Reclama quem paga, porque as regras não são claras, e reclama que deveria receber e não recebe o que deveria.
Vejamos alguns aspectos abordados na lei que dizem respeito aos produtores de texto, que é o que interessa mais a nós, escritores e jornalistas.
Pela lei vigente, de 98, copiar um livro inteiro não é permitido, apenas trechos. A nova lei esclarece e registra pontos óbvios: se eu faço cópia para uso privado – cópia de uma obra comprada por mim, legitimamente – posso copiar o livro inteiro que não há problema, não é crime. Assim como já acontecia com os CDs: eu podia copiar aqueles que eu comprei, para uso próprio. Por falar nisso, também será permitido copiar livro ou disco com edições esgotadas.
A fotocópia será alvo de um capitulo distinto na nova lei, e já é tempo, pois tem a ver com as cópias de livros já mencionadas. Baixar músicas, livros e filmes da internet, a não ser legalmente, por compra, continuará sendo crime.
Este item da nova lei me deixou intrigado: as empresas de comunicação também terão suas regras: “um jornal só terá direitos sobre um artigo publicado de um jornalista durante 20 dias.” Quer dizer que, se um jornal publicar um artigo ou crônica minha, eu teria que pedir a ele, dentro de vinte dias da publicação, para usar o texto em outro lugar?
Não vi o “projeto” de lei na íntegra, mas ninguém falou nada sobre as famigeradas apostilas.
Vamos ver como é que fica.
Cruz e Sousa na Senzala ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 14/03/2010
Parece que não vai ser neste aniversário da morte do nosso poeta maior, Cruz e Sousa, que ocorre neste 19 de março, que inaugurarão o Memorial em sua homenagem, nos jardins do Palácio que leva o seu nome, no centro da capital catarinense, e que abrigará os seus restos mortais, trazidos do Rio de Janeiro, em novembro de 2007.O Memorial em homenagem ao poeta tinha inauguração prevista, na época, para o ano seguinte, 19 de março de 2008. Mas só agora, dois aniversários depois é que estão começando, de fato, as obras de construção.
Isso sem contar que o local para construir o referido Memorial parece ter sido escolhido por quem não sabe nada da história nem do poeta nem da cidade.
Li, recentemente, na coluna Ponto Final, uma nota sobre o caso. O colunista registra comentário da historiadora Sara Regina dos Santos: “Vendo que os ossos do poeta ficarão nos jardins do Palácio Cruz e Sousa, vejo, sem querer ser racista, que quem decidiu colocar ali o poeta não lembrou ou nada sabia da nossa História: no local do mausoléu, em priscas eras, estava a velha senzala do Palácio projetado por Silva Paes. Vão levar o poeta novamente para senzala! Grande Homenagem!”
Pois é. A historiadora acha que “uma homenagem coerente seria a construção do Memorial na rua Marechal Guilherme (nome do militar que criou o poeta), nas proximidades da Igreja do Rosário. Ele estudou numa sala do templo”.
Terrível, não? Até depois de morto. Primeiro, o atraso: o mausoléu deveria ter sido inaugurado há dois anos, no entanto só agora começam realmente as obras. Será falta de dinheiro? Seria engraçado se não fosse absurdo, pois Florianópolis ia pagar quatro milhões por uma árvore de natal e pagou dois milhões e meio por um show que nem ao menos foi realizado. Sem contar que o Estado já pagou mais de um milhão por livros que foram distribuídos e depois recolhidos, porque foram considerados impróprios. E, recentemente, deputados gastaram mais de dez mil em uma bateria que nem ao menos foi usada. Então, falta de dinheiro não é.
Segundo, colocam-no de volta na senzala. Isso é desmerecer e desrespeitar um nome que eleva o nome de Santa Catarina pelo Brasil e pelo mundo.
Livro impresso em ascensão ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 08/03/2010
Com a chegada ao Brasil dos leitores de texto digitais, como Kindle e o novo aparelho da Aplle – existe até um tupiniquim, já – instalou-se de novo a polêmica da previsão da queda do livro impresso.O engraçado é que, mesmo rolando aos quatro ventos o anúncio do fim do livro, a verdade é que as vendas dos volumes tradicionais, impressos, está em ascensão. Levantamento da Associação Nacional de Livrarias dão conta de que o crescimento de vendas atingiu mais de dez por cento nos últimos anos.
Sabemos que, devagar, a adesão aos livros eletrônicos vai progredindo. E se, mesmo verificando-se que, apesar dos adeptos do Kindle e outros leitores eletrônicos, que já perfazem uma pequena fatia da venda e de consumo de e-books, o livro impresso continua aumentando suas vendas, quero crer que isso significa que o número de leitores de livros têm aumentado.
Não é uma boa notícia, saber que o contingente de leitores aumentou, nesta nossa terra tupiniquim que carrega o estigma de ter um povo que não lê? Mesmo o livro sendo caro, as vendas estão num crescendo. Os e-books tentam ser mais baratos que o livro impresso, mas é preciso considerar que o aparelho para ler os arquivos digitais são, ainda, bem caros. E isso reflete no preço do e-book.
A boa nova é a constatação de que o que tem provocado esse aumento na venda de livros nos últimos tempos é a leitura por parte do público mais jovem, leitores ainda em formação, poder-se-ia dizer. Mérito da escola, que está conseguindo incentivar a leitura em jovens e adolescentes? Talvez. Algumas escolas fazem um trabalho muito bom e eficiente.
Mas o que tem motivado os novos leitores a consumirem mais livros são escritores como os autores de Harry Potter, Crepúsculo e tantas outras séries de aventuras surrealistas, que com sua imaginação prodigiosa criam situações e personagens fabulosos, que cativam e arrebanham mais adeptos para o livro. Leitores que enfrentam volumes de quatrocentas, quinhentas páginas ou mais com sofreguidão.
A série Crepúsculo até foi protagonista de um feito inédito, recentemente: fez com o clássico “O Morro dos Ventos Uivantes”, que é citado em alguns volumes do romance, fosse parar na lista dos livros mais vendidos, nas últimas semanas.
Não é ótimo saber que mais brasileiros estão lendo, consumindo literatura?
Como já disse, não podemos ter a ilusão de que o livro eletrônico não vai ganhar terreno, a longo prazo. Alguém perguntaria: e esses campeões de vendas não migrarão para o e-book? Claro, mais cedo ou mais tarde eles estarão também nessa plataforma.
Mas o livro impresso estará sempre aí, mesmo dividindo espaço com o livro eletrônico.
Música Popular Brasileira ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 01/03/2010
“Música é a linguagem universal das emoções”. Não é, necessariamente, sinônimo de alegria. Nela exprimimos esperanças, anseios e aspirações, sentimentos cuja profundidade nem sempre as palavras traduzem.Música é cultura, tradição, é arte. Ela pode ser dividida por suas características regionais, ritmos e mensagens, mas não deixará de ser predominantemente jovem, por mais antiga que seja. Música é sinônimo de juventude de espírito.
A música clássica, por exemplo, tem permanecido no tempo com importância sempre crescente, angariando novos adeptos, à medida que ocupa espaços antes ocupados por estilos mais populares. De música erudita apreciada apenas por intelectuais que foi – e talvez não tenha deixado de sê-lo de todo – o som clássico universal vem ganhando progressivamente a aceitação e adesão dos jovens, ao dividir espaço com outros tipos de música, no rádio, na televisão, na Internet.
Já a música sertaneja, considerada há algum tempo, por uma grande parte do público ouvinte, como rudimento de mau gosto musical, tem subido na preferência popular, equiparando-se, em venda e execução, a grandes sucessos de outros gêneros musicais, inclusive entre os importados. Ela, a música sertaneja (há ainda quem a chame de “caipira”?), que se reveste de grande importância por retratar, no seu modo singelo, a sensibilidade, o lirismo e a poesia de uma gente simples e pura.
O jovem, particularmente, prefere a música romântica e o som pesado, como rock, os “raps” e as bandas novas que vão surgindo, com experiências diferentes e inovações. Alguns, no entanto, já estão aderindo ao “sertanejo universitário”. E não são poucos.
A música popular brasileira, apesar de prejudicada pela invasão dos sucessos importados, resiste na luta com bons compositores e intérpretes que tem.
Em se falando de Música Popular Brasileira, pensamos logo “samba”. Há que se esclarecer, no entanto, que o samba é o resultado da influência africana, do canto dos negros escravos que, tirados de sua pátria para servirem os senhores brasileiros, implantaram características e costumes seus na nossa cultura. Não é, pois, algo que tenha tido origem entre os nativos da terra.
Na verdade, não existe a genuína Música Popular Brasileira, aquela nascida aqui, exclusivamente com motivos da terra, da gente da terra, da cultura da terra, se não considerarmos a música sertaneja (ou caipira?). Foi ela que nasceu no nosso meio rural, no interior do nosso país, sem qualquer influência que não da vida simples do homem do campo, seu trabalho, seus amores, suas dores, sua terra. É certo que hoje ela já é mais urbana, mas mantém suas raízes - o som e os temas perseguem as origens.
Pode parecer exagero, mas não é de hoje que os discos de música sertaneja vendem tanto ou mais do que qualquer outro gênero de música. Há duas ou três décadas atrás, atribuía-se isso ao fato de ser mais barato o disco deste tipo de música. Hoje, os sucessos sertanejos aparecem nas listas dos mais vendidos ao lado ou acima de sucessos internacionais e ninguém mais tem vergonha de dizer que gosta dessa música, que pode ser a mais executada, a mais ouvida e mais cantada, em qualquer lugar no país, seja nos grandes centros ou em pequenas cidades.
Apesar disso, o samba foi consagrado como símbolo da Música Popular Brasileira. Não que isto seja ruim, mas denota mais uma influência de fora que predominou no Brasil, dentre tantas. Mas a originalidade, a singeleza, o lirismo e a autenticidade da música sertaneja, tão popular e tão brasileira, tem a sua força.
O Governador na cadeia ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 19/02/2010
E o senhor José Roberto Arruda, governador do Distrito Federal, teve sua prisão preventiva levada a efeito, finalmente, por ordem do Superior Tribunal Federal . A defesa do governador corrupto entrou com pedido de habeas corpus, que felizmente foi indeferido pelo Ministro Marco Aurélio, ainda bem.Será que isso é uma luz no fim do túnel, um sinal de que os políticos corruptos vão deixar de ser intocáveis e terão que pagar pelos seus crimes? Ou apenas elegeram um bode expiatório, para parecer que as coisas estão mudando? Sim, porque se começarem a prender os políticos ladrões, vai sobrar muito, muito pouco neguinho por aí.
E no meio da baixaria toda, o nosso excelentíssimo presidente tinha que dar o seu toque de gênio, claro, declarando (depois negou) que estava muito “chateado” com a prisão do governador (ou ex?) do Distrito Federal. Com os tantos escândalos de corrupção e roubalheira que tem vindo à tona durante todo o seu “governo”, ele não fica chateado, pois não? Aí está tudo bem. Aliás, não é a primeira vez que ele passa a mão na cabeça de político denunciado por corrupção e apropriação de bens públicos.
Espera-se, não é de agora, que pelo menos a Justiça seja correta, neste país, para que o resto, quem sabe, então comece a entrar nos eixos. Bom sinal ver que ela não aceitou o pedido de habeas corpus e mantém o “governador” preso. Até quando, não se sabe, pois de repente acham uma brecha e o dito cujo é libertado.
Os pedidos de impeachment também estão sendo analisados, será que serão aceitos? Ou será que o “governador” renuncia antes, para não perder os “direitos políticos”?
Precisamos aprender a votar. Ou então não votar em ninguém, anular o voto, para que saibam que não temos candidatos decentes, não temos tido opções decentes. Não mais podemos votar em candidatos como este governador e tantos outros “políticos” que grassam por aí. Já chega de corrupção e roubalheira. Precisamos dar um basta.
Propaganda enganosa na TV ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 14/02/2010
Existem algumas poucas coisas que gosto de ver na televisão, mas fico cada vez mais indignado com o que vejo nos intervalos dos programas. O que há de propaganda mentirosa, enganosa, abusiva, é um absurdo. E ninguém faz nada, parece que aquele espaço, aquele veículo é terra de ninguém, porque anuncia-se o que se quer, do jeito que se quer, prometendo o que quiser, independente de ser verdade ou não.Na televisão a cabo e até na aberta, há aqueles comerciais de 2 minutos, às vezes três, de produtos milagrosos que fazem coisas mirabolantes em curtíssimos espaços de tempo. Exemplos são aparelhos de exercício físicos e remédios para emagrecer, embora existam dezenas de outros produtos, pois a cada dia aparece um novo, que os canais de venda shop isso e shop aquilo têm com exclusividade para fornecer. Os aparelhos prometem emagrecer e tornar o corpo da gente definido e musculoso com seções de 5, 10 ou 15 minutos diários. Um faz dez ou vinte tipos de exercícios, outro faz outro tanto diferente, mas todos fazem milagres instantâneos com nossos corpos. A gente está vendo que é mentira, mas eles estão ali, repetindo e repetindo as mentiras em “comerciais” milionários pelo tempo enorme que ocupam e que na verdade, quem paga é o consumidor incauto que compra o produto que eles empurram.
Propaganda enganosa é aquela que induz o consumidor ao erro, ou seja, quando apresenta um produto ou serviço com qualidades que não possui. É uma propaganda falsa. A propaganda abusiva é ainda mais grave, pois induz o consumidor a comprar produtos que ele não precisa ou que não fará o que ele espera, pelo contrário, poderá prejudica-lo . Ambas as modalidades de propaganda - a abusiva e a enganosa - são expressamente proibidas pelo Código de Defesa do Consumidor.
Além da responsabilidade penal, o Código impõe ainda uma responsabilidade civil aos veiculadores de propaganda enganosa ou abusiva. Além do Código de Defesa do Consumidor, existe, desde 1980, o CONAR, Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária, uma ONG encarregada de fazer valer o Código Brasileiro de Auto-Regulamentação Publicitária.
O CONAR atende a denúncias de consumidores e autoridades. Recebida a denúncia, o Conselho de Ética do CONAR que é soberano na fiscalização, julgamento e deliberação se reúne e a julga, garantindo amplo direito de defesa ao acusado. Procedente a denúncia, o CONAR recomenda aos veículos de comunicação a suspensão da exibição da peça ou sugere correções à propaganda, podendo inclusive advertir anunciante e agência, sendo capaz de adotar medida liminar de sustação no intervalo de algumas horas a partir do momento em que toma conhecimento da denúncia, aplicando as sanções cabíveis, que compreendem advertência, recomendação de sustação de divulgação do anúncio, recomendação de alteração ou correção e divulgação da posição da entidade.
Entretanto, o CONAR não tem poderes para retirar propaganda enganosa do ar, pode no máximo sugerir a retirada do ar da publicidade viciada, sem qualquer via de coercibilidade.
Então vejo uma peça publicitária no Conar, na tv, afirmando que fiscaliza e não deixa que propagandas enganosas fiquem no ar, na televisão ou qualquer que seja a mídia. Chego a conclusão que isso é a maior das propagandas enganosas, visto o número enorme de propagandas que estão no ar, dia após dia, prometendo mundos e fundos sem que ninguém faça absolutamente nada para que elas parem de ser exibidas.
Primeiro, que o Conar não tem poder para tirar a propaganda enganosa do ar. Segundo, que parece não estar fazendo o seu trabalho, que é identificar a propaganda enganosa e fazer de tudo para que elas sejam tiradas do ar por quem tem poder para isso.
Nós e o Haití ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 08/02/2010
A tragédia do povo haitiano foi uma coisa dantesca, um golpe fatal num povo já combalido. Há que ajudemos, de qualquer forma, da melhor maneira possível, pois eles precisam de toda a ajuda imaginável. Comida, roupa, remédios, médicos, hospitais, o teto de suas casas, tudo. Precisam que ajudemos o seu país a se reerguer, para que tenham trabalho, pois só assim, readquirindo a cidadania e a dignidade, poderão pensar em superar adversidades tão atrozes.Muitos países estão enviando gente, equipamento e suprimentos para ajudar os sobreviventes e o Brasil é um deles. Nosso país tem enviado gente apta a dar valiosa colaboração em várias frentes, assim como equipamento e carregamentos de agasalhos, água e alimentos. O governo também liberou um valor considerável, que para a dimensão do desastre do Haiti pode parecer pouco, mas para o brasileiro comum, que passou por tragédias recentes, ainda que menores, é muito.
Pode parecer que levantar o assunto dessa maneira é mesquinhez, mas não estamos aqui criticando o envio da ajuda ao Haiti, e sim a falta de verbas para socorrer as tragédias internas. Para se ter uma idéia, o dinheiro prometido pelo governo para construção das casas para o pessoal que ficou desabrigado em Santa Catarina parece que está vindo em doses homeopáticas. Há gente da enchente de 2008 que ainda está morando em barracas. A saúde, a educação, a segurança sofrem de aguda falta de verbas.
Mas, cá pra nós, dar teto para vítimas de tempestades e de um poder público que não faz o seu trabalho, delimitando áreas de risco e proibindo a sua ocupação, que ficaram sem nada, a não ser a roupa do corpo, não dá projeção para que o nosso presidente seja eleito Estadista do Ano num Forum Econômico Mundial fora do Brasil. Melhorar a saúde no Brasil (que está na UTI, embora nosso presidente fale do SUS como se fosse o programa mais eficiente do mundo, sugerindo o modelo aos Estados Unidos, por exemplo), a educação e a segurança, parece que também não interessa muito, não dá status.
Precisamos levantar as mãos para o céu e agradecer por não termos terremotos no nosso chão. Se enchentes e tempestades já transformam o país num pequeno Haiti, imaginem com terremotos, com os “políticos” que temos no comando da coisa pública...
Avatar ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 01/02/2010
Fui ver Avatar, em terceira dimensão, há alguns dias. E valeu a pena. Não havia ido ver nada no cinema em 3D e achei fantástico os galhos das árvores quase batendo na gente, aquelas criaturinhas que parecem flores voando na frente dos nossos narizes, o fato de a gente se desviar rapidamente de alguma coisa jogada na direção da câmera que filmou, isto é, em nossa direção. A tela do cinema parecia uma janela de onde a gente observava as coisas acontecendo ao vivo. Muito “maneiro”, como disse meu sobrinho de seis anos.Mas independente da tecnologia de ponta utilizada para fazer o filme, recursos de última geração, efeitos especiais, da espetacular fotografia, da criatividade dos realizadores, impressionou-me sobremaneira a história. A mesma ganância, o imediatismo para transformar tudo em dinheiro, o egoísmo e a sede de poder a qualquer preço que vimos aqui no nosso velho mundo, na nossa maltratada Terra, a gente vê em Avatar. Alguns homens da Terra, depois de exauri-la, de arrancar tudo o que podiam tirar dela, agredindo a natureza e o meio ambiente, depois de matá-la, voltam-se contra um outro planeta, que tem alguma coisa de interesse deles, para destruí-lo, destruir seus habitantes e seu ambiente, suas coisas sagradas, seu habitat.
Mas esse planeta é habitado por nativos lutadores e, embora suas armas sejam rudimentares, sua união, seus valores e seu senso de preservação e de preservação do seu planeta são muito fortes. E eles lutam e conseguem expulsar o invasor, que destrói antes de ser expulso, mas não consegue acabar com os nativos.
E a Terra, quem vai nos impedir de tentar acabar de vez com ela? Onde está a nossa consciência, o nosso senso de preservação, a nossa responsabilidade para com nossos filhos e netos?
A ficção nos abre os olhos para o fato de que estamos destruindo o futuro.
O plágio ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 27/01/2010
Há muito tempo, desde que comecei a escrever, que faço palestras em escolas, faculdades ou entidades culturais e tenho feito parte de corpos de jurados de concursos literários e seleção de textos para publicação. Já me aconteceu de encontrar textos - principalmente poemas - de autores consagrados, como Drummond, Vinícius, Cecília Meirelles e outros, assinados por alunos de primeiro ou segundo graus ou “poetas” novos. Encontrei até poemas meus, em versão integral, assinados por outra pessoa, copiados e assumidos por quem os enviou.No caso dos estudantes, pode ser inocência, falta de esclarecimento, ingenuidade. Talvez achem que podem copiar o texto ou poema, colocando o próprio nome, como se isso indicasse apenas quem está enviando. A verdade é que isso é plágio, é crime. Não podemos assinar nada que não seja de nossa autoria. Podemos até citar, em nosso texto, trecho de autoria de outrem, desde que o coloquemos entre aspas e desde que revelemos o autor e a fonte. Copiar um texto de alguém e omitir o nome do autor já é grave, imagine apropriar-se da obra, assinando como se a tivesse criado.
Nós, professores, precisamos enfatizar aos nossos alunos de primeiro grau - e de segundo também – que não podemos nos apropriar da obra alheia, porque isso é roubo e podemos ser processados por isso e sofrer penalidades.
Não se pode, simplesmente, copiar alguma coisa de onde quer que seja, sem que copiemos também o nome do autor e, de preferência, sem deixar de citar o lugar de onde a copiamos. Seja de livro, de jornal, de revista, da internet, de qualquer lugar. E se não houver registro do nome do autor, isso não quer dizer que podemos nos apoderar do texto. Devemos colocar a fonte e citar que não havia anotação da autoria.
Sabemos que o plágio verdadeiro, proposital, de má fé existe – que há “escritor” que copia a obra de outrem e a passa adiante com se fosse sua. Eles precisam ser denunciados para que essa atitude criminosa não seja, cada vez mais, banalizada. Para que não pareça natural aos nossos leitores em formação e escritores em potencial. Para que eles exerçam e valorizem a sua criatividade e respeitem a propriedade alheia.
O engraçado que, atualmente, já não existe só o plágio como conhecíamos até agora. Existe um outro, que não prejudica apenas o autor da obra, prejudica também o leitor, que confuso, acaba comprando um livro por outro. É famigerado “gato por lebre”, quando os editores publicam um volume com título e capa parecidos com um best-seller e o leitor é induzido a comprar, pensando que é o sucesso literário da hora.
Essa prática tem se tornado comum e sempre há um “clone” de obra de sucesso, como no caso dos livros de Don Brown, por exemplo. Aconteceu com muitos outros, mas os que estão nas livrarias atualmente são livros tentando vender no rastro de obras como “A Cabana”, “2012”, “Lula, o Filho do Brasil” – este último eu não compraria nem que fosse o original, quanto mais o clone.
É muito comum acontecer com pessoas que querem dar livro de presente, que tentam saber da preferência do amigo ou parente a ser presenteado e vão comprar, mas se não conhecerem bem a obra podem levar o item errado. Se acontecer com você, devolva. Mesmo que precise pagar a diferença, leve o original.
O ano da mudança ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 19/01/2010
O ano passado, de crise, corrupção e tragédias, já não foi um ano bom. E este ano de 2010 também não começou nada bem. Mas por quê? Por causa do tempo, das tempestades, da natureza? Não, por causa de nós mesmos, por nossa culpa, nós, seres humanos. Se não respeitarmos a natureza, ela também não terá como nos devolver respeito e segurança. É uma troca natural e justa. Então, temos que ter esperança, mas também temos que ter responsabilidade, pois o novo ano não será melhor por um passe de mágica.Temos que fazer deste ano o ano da conscientização e do propósito de cuidar do nosso lar, cuidar do nosso planeta Terra, que até aqui só fizemos tentar matá-lo. E ele está estertorando.
Então, este novo ano terá que ter a marca da renovação, da certeza de que podemos mudar, de que podemos provocar mudanças em nós e no próximo, de que essas mudanças precisam começar e podem trazer, oxalá, condições de vida melhor para todos se tivermos um planeta mais vivo, mais saudável, com o meio ambiente e a natureza protegidos.
E essa esperança de um futuro melhor, sem poluição do ar, da água, do mar e do solo, vai nos trazer uma coisa não menos importante: a paz. Precisamos plantar, cultivar e disseminar a paz, sem a qual todo o resto, até a esperança, será em vão. E sabemos que nós somos o instrumento da paz, os construtores da paz, os responsáveis pela sua existência e permanência.
Não podemos contar com uma transformação instantânea, com a correção dos erros do passado em um piscar de olhos. Mas precisamos começar. Com urgência. Temos que participar da renovação, com solidariedade e honestidade, fazendo cada um a sua parte.
Nossa sociedade está imersa em uma era de corrupção e mentiras e precisamos redirecionar essa energia desperdiçada para o cuidado necessário que temos de ter com o nosso pequeno mundo, entrando em uma nova era, esta de transparência e verdade. Impossível? Este é o ano da esperança e da realização e não haverá esperança se não tentarmos construir um futuro melhor. Temos que trabalhar e contribuir para que a natureza seja nossa aliada, neste caminho para a paz, e não nossa inimiga. Temos que parar de desafiá-la e protegê-la. Precisamos nos unir a ela para salvar nosso planeta.
As seguranças de nossas estradas ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 09/01/2010
As festas de final e início de ano tiveram, segundo foi divulgado, o maior índice de acidentes já registrados em nossas estradas. Foi nada mais nada menos do que 24% a mais do que no mesmo período do ano passado. O número de mortes também aumentou, consequentemente.A justificativa, desta vez, foi a chuva. É claro que a chuva intensa tornou as estradas ainda mais perigosas e há também o aumento de fluxo de veículos e a imprudência de alguns motoristas.
Mas vi apenas uma menção, em um noticiário da televisão, a um ponto importante que passa batido e também tem um peso bastante grande no índice de acidentes: a chuva faz com que apareçam os erros de projeto de nossas estradas por esse Brasil afora. A chuva potencializa esses erros na construção das estradas e juntando todos os fatores de risco, resulta no que tivemos: um número de acidentes recorde.
Os erros de projeto – ou não cumprimento do projeto – são os mais diversos, desde os mais inocentes aos mais graves. Até a pessoa mais leiga pode ver, por exemplo, lugares nas pistas onde acumula água durante a chuva, fazendo com que os veículos percam a estabilidade facilmente. Ou então a inclinação que deve haver nas curvas da estrada, para que os veículos não saiam da pista, não está correto. Essa inclinação, que é chamada de “super elevação” pelos técnicos e engenheiros, tem que ser feita, obrigatoriamente, para dentro da curva. Ou seja, a inclinação para assegurar a estabilidade e não jogar o veículo para fora da estrada deve ser feita de fora para dentro.
E por aí afora, outros erros tornam as estradas mais perigosas. Estratégias das construtoras que tentam gastar menos para ter mais lucro?
A verdade que esses erros, aliados a outros fatores, acabam custando a vida de cidadãos que pagam caro para usar as estradas. E as estatísticas de acidentes aumentam assustadoramente.
Cobra-se pedágio em muitas rodovias brasileiras, e em alguns lugares os preços são absurdos, chegando a mais de dez reais, mas a manutenção não é o que deveria ser, não é o que deveríamos ter pelo que a gente paga.
Além dos buracos, esses erros de projeto deveriam ser corrigidos, deveríamos ter estradas de primeiro mundo, seguras e impecáveis, considerando o pedágio que pagamos, além de mais outros impostos.
Tragédia anunciada ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 03/01/2010
2009 terminou, um ano de muita corrupção, impunidade, descaso aos direitos mais básicos do cidadão brasileiro, de muita chuva, ventos e tempestades. Ainda bem que terminou. Mas 2010 começou muito mal, com soterramento de casas e muitas mortes. Esperemos que ele melhores e possamos comemorar um ano bom, quando dezembro chegar.O ano passado já terminou com as chuvas causando deslizamentos e alagamentos em varias partes do país. Mas foi no raiar no novo ano que a tragédia aconteceu no Rio e em São Paulo, com a terra deslizando sobre casas e pessoas, matando dezenas delas, transformando o réveillon em um filme de terror.
Uma terrível constatação é a de que este filme já passou antes. Em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul, no nordeste, em vários pontos do país. E muito pouco foi feito. Sim, porque essas tragédias que vem acontecendo não são culpa do tempo, pura e simplesmente. A terra está despencando em cima de casas, pousadas, hotéis que foram construídas em áreas onde o ser humano não deveria estar. São áreas de risco muito claras. Então porque foram autorizadas tantas construções?
Como em Angra dos Reis e Ilha Grande, há construções encostando nos paredões. E se elas estão lá, funcionando, com água, luz, acessos, é porque houve autorização do poder público que deveria fiscalizar a não ocupação de áreas de risco, para que não acontecessem as tragédias que estão acontecendo.
É a politicagem e a ganância em vender mais imóveis e receber mais impostos que fazem isso e inocentes é que pagam pelo crime cometido. Sim, porque isso é crime e quem autorizou a ocupação de áreas de risco deveria ser responsabilizado.
Mas infelizmente os mortos são contados, viram manchete nas diversas mídias e amanhã tudo volta ao que era antes, até que outra tragédia aconteça. E pouco se faz para que o massacre seja evitado.
Que este ano de 2010 seja de conscientização para todos nós, que devemos implementar esforços para que o que vem acontecendo seja evitado. Temos que parar de construir em encostas, pés de morros, altos de morros. É precisos que haja lei nesse sentido, se ainda não há, e que ela seja cumprida. Ou o massacre continua.
A natureza não pode ser responsabilizada pelos erros dos homens.
Ano Novo ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 29/12/2009
Um ano novo está chegando e o sol, mesmo intercalado com a chuva, o jacatirão florido, o flamboiã espalhando vermelho pelas calçadas, me dizem que o novo ano será bom.Por isso, não desejo muito deste novo ano. Peço apenas o possível: crianças na escola, velhos assistidos, ou seja: educação e saúde neste nosso Brasil e por todo este mundão de Deus; trabalho para todas as pessoas e alimento na mesa de todos, em qualquer lugar; ética e honestidade em todos as atividades do ser humano, principalmente na "política" e conscientização geral de que precisamos preservar a natureza para que haja um futuro amanhã.
Que saibamos cuidar do nosso meio ambiente. Que paremos de desmatar, que possamos diminuir a poluição, para que nossos filhos e netos possam ter um mundo viável mais adiante. Não quero, para todos nós, filhos de Deus, uma felicidade instantânea e fácil; quero uma felicidade conquistada, verdadeira e merecida. Uma felicidade perene.
Quero sorriso no rosto das pessoas, mas não sorrisos tristes. Quero sorrisos iluminados, pejados de fé e esperança, que se não os houver, não haverá vida. Quero luz no olhos de toda a gente, faróis a apontar o caminho. Quero paz no coração de todo ser humano, quero carinho a semear ternura, quero uma canção em todos os lábios, a propagar a fé.
Quero pedir aos homens, principalmente aos que detém o poder, o fim das guerras, que o seu coração foi feito para abrigar a paz, e seus lábios, suas mãos e seus olhos foram feitos para disseminá-la. O homem não foi feito para deter o poder em suas mãos e com este poder destruir seu semelhante. Peço à força maior que rege o universo que erradique do coração do homem a ganância, a inveja, o ódio, a indiferença.
Não estou pedindo nada impossível, tudo o que peço pode se tornar realidade, se todos quisermos. E precisamos querer, para que este próximo ano que se inicia seja bom, seja melhor que os anteriores. Para que os nossos sonhos possam continuar, para que possamos ter esperança de realizá-los.
Natal e presépio ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 22/12/2009
Fiquei feliz ao ver, num dezembro destes últimos anos, o anúncio de um grande jornal prometendo dar de brinde aos leitores um presépio. Um presépio para colorir e montar, isto é: dirigido principalmente às crianças.Entusiasmei-me com a idéia, porque um presente como este vem de encontro a uma preocupação que já foi assunto de uma outra crônica: as nossas crianças precisam ser esclarecidas, desde bem cedo, sobre o significado do Natal. Precisamos ensinar-lhes que o Natal não é simplesmente uma data para se ganhar brinquedos de Papai Noel. E que melhor maneira do que um presépio? Ele é a representação, com todos os detalhes, do nascimento do Menino que veio para trazer esperança e fé a todos aqueles que viessem depois dele. Aquele Menino que nasceu há mais de dois mil anos, o filho de Deus, que espalhou amor, ternura, compreensão e fraternidade e que morreu para salvar cada um de nós.
Com certeza é uma boa oportunidade para contarmos às nossas crianças a história do Menino que nasceu numa manjedoura em Belém, se elas puderem interagir, pintando as figuras das personagens, montando o cenário da mais bonita história da humanidade.
É a grande motivação para mostrar aos pequeninos – e não só a eles – que Natal não se resume a presentes, Papai Noel, árvores enfeitada, guloseimas e roupa nova, coisas que nem todos podem ter. O que todos podemos fazer é festejar o aniversário do Cristo-menino, se conhecermos a sua história.
Por isso, é tão importante que tenhamos um presépio para montar, por mais simples que seja. Que mais jornais, revistas, etc., possam oferecer presépios para que todos aprendam o verdadeiro significado do Natal e para que amanhã, nossas crianças não sejam adultos que deixarão a magia desta época se acabar.
Porque na verdade nós, adultos, estamos deixando a magia e o encantamento do verdadeiro Natal, da comemoração do aniversário daquele Menino se perder.
Então, presépio serve também para nós aprendermos com as nossas crianças que Natal não é essa festa consumista que estamos vivendo. Que há um Menino querendo nascer, mais uma vez, no coração de todos nós. Abramos as portas dos nossos corações e far-se-á o Natal.
A Árvore-flor do Brasil ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 13/12/2009
Viajando para Santos, em janeiro passado, fiquei extasiado com o espetáculo descortinado diante de meus olhos ávidos de cor e luz. Gosto do jacatirão nativo que vejo explodir em flores no fim da primavera e no verão, em Santa Catarina e no Paraná, onde os vejo sempre, e vendo-os, agora, explodirem em flores e cores, lembrei da visão esplendorosa daquelas árvores em São Paulo.Sabia que eles existiam pelo Brasil afora, mas agora sou testemunha: eles são belíssimos e em grande quantidade nas matas cortadas pelas rodovias do norte do Paraná e principalmente em São Paulo. Depois de Registro e até perto de Santos o quadro é de uma beleza grandiosa: o jacatirão domina a paisagem, enchendo a mata verde de manchas vermelhas.
Fico feliz de saber que o privilégio de ter a flor do jacatirão não é só das gentes do sul, que os paulistas também são abençoados pela Mãe Natureza com essas árvores generosas e majestosas.
Vi, também, flamboiãs vermelhíssimos em Ilhabela, também em Búzios e em Salvador, além de algumas primaveras enormes e muito floridas, mas nada que se comparasse aos jacatirões, que espalham suas incontáveis flores pelas florestas que se espraiam pelos lados das rodovias paulistas, paranaenses, catarinenses. E, quiçá, de tantos outros estados.
Impossível não vê-los e não admirá-los, árvores singelas e majestosas ao mesmo tempo, a balançarem seus galhos pejados de flores que vão do branco ao vermelho, algumas pendendo para o lilás.
Elas estão lá, no nosso caminho, mostrando que Mãe Natureza ainda nos ama, a nós, seres humanos, que desdenhamos tanto dela, que a menosprezamos tanto. Mas é preciso, repito mais uma vez, olhar e ver. Algumas coisas belas estão sempre ao alcance dos nossos olhos, sempre no nosso caminho e, de tão presentes, acabamos não vendo. Olhamos e não vemos. Temos de olhar e ver, para atribuir-lhes o devido valor e preservá-las, pois do contrário podem não estar mais lá amanhã.
Então, irmãos de todos os lugares, verão é tempo de jacatirão, de flamboiã, de primaveras floridas. Não deixem de vê-los. São espetáculos gratuitos e enchem os olhos e o coração. Em março, vou a Santos de novo, mas não sei se os jacatirões ainda estarão floridos. Espero que sim.
Podemos ser Papais Noéis ( Luiz Carlos Amorim )
Crônicas & Opiniões | Fonte: Luiz Carlos Amorim ( Escritor e editor ) :: 06/12/2009
Mais uma vez Natal, esse tempo mágico de renascermos, de deixarmos nascer em nossos corações um Menino que poderá mudar nossas vidas, de mostrarmos que amamos nossas pessoas mais caras, dando-lhes carinho e presentes. Presentes que podem ser apenas simbólicos, mas que significam, antes de qualquer outra coisa, que lembramos de determinada pessoa. Que pensamos nela.Mas há aqueles, menos privilegiados que nós, que precisam de mais do que um presente simbólico: existem pessoas carentes, muito pobres, que precisam de tudo, até do alimento mais básico. Há crianças que nunca ganharam um presente, uma roupa nova, um par de sapatos novos. Parece exagero, eu sei, mas infelizmente não é.
Por isso, fiquei fascinado em ver, nos últimos Natais, acontecer uma coisa que eu achei fantástica. Todos sabemos que as crianças, até certa idade, acreditam em Papai Noel. Sabemos, porque nós também acreditamos, por um período curto, talvez, mas acreditamos. Antes mesmo de saber o significado do Natal, as crianças ficam conhecendo Papai Noel. E até que acabe o encanto, até que o Velhinho perca a magia, que a criança descubra que não existe quem consiga dar brinquedos para todas os pequenos do mundo inteiro, ela acredita que os presentes que ganha na festa maior da humanidade são trazidos por ele, o velho Noel de roupa vermelha e barbas brancas, de um tempo frio que não tem nada a ver com o nosso, mas que importa? É colorido e faz “Hou, hou, hou”.
Por isso, pedem coisas a ele, escrevem cartas endereçadas ao Pólo Norte e até colocam no correio. Pois são essas cartas, de crianças fazendo pedidos ao Papai Noel, enviadas também por adultos carentes, que os correios aqui da nossa região resolveram colocar à disposição de quem quiser e puder atender um pedido. Não é maravilhoso? Restabelecer o encanto, resgatar a magia, poder provar que existe um Papai Noel em algum lugar, por que não dentro de nós?
E algumas pessoas vão lá e escolhem uma carta que possam atender – ou escolhem aquelas que precisam mais, porque essas cartas não pedem só brinquedos, pedem remédios, comida, um lugar para morar, etc. – e vão lá entregar, embora não vistam a roupa vermelha nem tenham barba branca.
Este é o verdadeiro espírito do Natal. Isto mostra que o Menino de dois mil e tantos anos está nascendo, mais uma vez, no coração dos homens. Que Ele está entre nós.
Quem sabe não podemos devolver o espírito do Natal a alguém?
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Sobre o autor: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC, com 28 anos de atividades e editor das Edições A ILHA, que publicam as revistas Suplemento LIterário A ILHA e Mirandum (Confraria de Quintana), além de mais de 50 livros. Editor de conteúdo do portal PROSA, POESIA & CIA. e autor de 25 livros de crônicas, contos e poemas, três deles publicados no exterior. Colaborador de revistas e jornais no Brasil e exterior – tem trabalhos publicados na Índia, Rússia, Grécia, Estados Unidos, Portugal, Espanha, Cuba, Argentina, Uruguai, Inglaterra, Espanha, Itália, Cabo Verde e outros, e obras traduzidas para o inglês, espanhol, bengalês, grego, russo, italiano -, além de colaborar com vários portais de informação e cultura na Internet, como Rio Total, Telescópio, Cronópios, Alla de Cuervo, Usina de Letras, etc.
























