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Luiz Carlos Amorim

Crônicas & Opinião | Fonte: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC :: ano: 2012

Luiz Carlos Amorim Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC, com 30 anos de atividades e editor das Edições A ILHA, que publicam as revistas Suplemento Literário A ILHA e Mirandum (Confraria de Quintana) e mais de 50 livros, inclusive a coleção Poesia Viva, com 12 volumes e a Coleção Letra Viva, de crônicas.

Editor de conteúdo do portal PROSA, POESIA & CIA - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

É autor de 26 livros de crônicas, contos e poemas, três deles publicados no exterior. Colaborador de revistas e jornais no Brasil e exterior – tem trabalhos publicados na Índia, Rússia, Grécia, Estados Unidos, Portugal, Espanha, Cuba, Argentina, Uruguai, Inglaterra, Espanha, Itália, Cabo Verde e outros.

Também tem obras traduzidas para o inglês, espanhol, bengalês, grego, russo, italiano -, e colabora com vários portais na Internet, como Rio Total, Cronópios, Alla de Cuervo, Usina de Letras, etc.

É poeta e contista. É cronista e articulista fixo de jornais como A Notícia, Diário do Litoral, Correio do Povo, Jornal Hoje, Correio da Manhã, Jornal Feira Hoje, Repórter Diário, São José em Foco, Roraima em Foco, Correio Popular de Rondônia, Correio Bragantino no Pará, Gazeta de Aracaju, Folha de Vilhena, O Liberal de Cabo Verde e outros.



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A nova lei de direitos autorais e o livro

Crônicas & Opinião | Fonte: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC ( brunopl@terra.com.br ) :: 13/05/2012

E o impasse continua. A nova lei de Direitos Autorais, projeto do Ministério da Cultura que vem se arrastando há anos, voltou à baila, agora não mais se atendo à música, como aconteceu há até bem pouco tempo, mas focando a literatura.

A legislação vigente é de 1998 e protege os textos de obras literárias, científicas, conferências, sermões, ilustrações, cartas geográficas, músicas, desenhos, pinturas, esculturas e arte cinética. Não é possível fazer cópias de livros inteiros, apenas capítulos ou páginas. O que não é respeitado, evidentemente, porque os livros que os universitários precisam, por exemplo, são muito caros, então a saída é copiar, fazer “Xerox”.

A nova proposta da lei de Direitos Autorais, elaborada pelo Ministério da Cultura, já foi disponibilizada à consulta pública, mas está encalhada no Congressos, que precisa aprová-la para passar a vigir. Esta nova versão da lei prevê a possibilidade cópia do livro na íntegra, para “uso privado”, ou seja, a duplicação de uma obra para estudo será legal.

A pirataria não chegou aos livros, ainda, aqui no Brasil, mas a lei pode provocar a sua aparição. É bem verdade que os livros, por aqui, são muito caros, que nem todo estudante pode comprá-los, mas a pirataria de obras literárias não seria nada bom para os autores brasileiros, que já ganham parcos 10 por cento pelo seu trabalho. Todo mundo ganha com a sua criação – editores, livreiros, distribuidores – só o escritor ganha o mínimo.

Pirataria de livros, para quem não sabe, é a produção de livros – impressão em fac-simile, na verdade – para ser vendida como se vende os DVDs de filmes: por baixo dos panos e mais barato. Em outros países isso já existe. As edições piratas são tão caprichadas quanto as originais, inclusive.

Então finalmente o foco da lei dos direitos autorais recaiu sobre os livros, mas não há muita esperança de que o estado de coisas atuais mude alguma coisa. A verdade é que a realidade digital dos livros – e-books, textos jornalísticos, obras publicadas em blogs, etc. – não foi contemplada na nova lei.

E o livro digital é uma realidade, queiramos ou não. O livro impresso, como conhecemos até agora vai continuar, ainda, por muito tempo, mas o livro eletrônico está conquistando espaço. De maneira que deveria ser contemplado, também, nessa nova Lei de Direitos Autorais, tão polêmica e tão inócua, antes mesmo de começar a valer.



360 dias das mães

Crônicas & Opinião | Fonte: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC ( brunopl@terra.com.br ) :: 08/05/2012

Está chegando o Dia das Mães, um dia para lembrarmos que devemos reverenciar a mulher mais importante da nossa vida todos os dias, qualquer dia, sempre. Precisamos, antes de qualquer coisa, estarmos presentes, dar-lhe carinho, manifestar nosso respeito, nosso reconhecimento e nosso amor. Não apenas nesta data específica, nesta semana, mas sempre. Nada é mais importante do que a companhia, a presença tanto quanto possível, não interessa a idade que os filhos tenham.

Mas é tradição, para nós, filhos, darmos uma lembrança a ela, no seu dia, além de manifestar o sentimento que ela inspira em cada um. Comprar presente, sabemos, é uma questão de consumo, o comércio inventou essas datas comemorativas para vender mais. É que já virou tradição, já nos habituamos a dar um presente às Mães, no seu dia, tão bom quanto possamos dar. É uma outra maneira de dizer que ela é importante para nós, é uma maneira de homenageá-la, de provar que pensamos nela.

Outro dia, dizia eu a uma amiga que minha vida é e sempre foi povoada por mulheres maravilhosas. E ela me disse que eu agradecesse a Deus por isso, o que é mais do que justo. Tive avós fantásticas, até uma avó postiça que ganhei nessas lidas literárias que a vida me proporcionou, professoras, minha esposa, minhas filhas, minha mãe, mulheres maravilhosas que talvez eu nem merecesse.

Minha mãe, claro, é quem esteve mais presente, pois me acompanha a vida inteira. Acho que no dia dela, quem ganha o presente, na verdade, somos nós, os filhos, por tê-las. O que somos, temos que reconhecer, devemos a elas, pois é com elas que passamos o maior tempo de nossas infâncias e adolescências, são elas que nos ensinam o que devemos saber para enfrentar o mundo dos adultos.

Por tudo o que ela representa, deveríamos dar-lhe um grande, enorme presente. Mas se não pudermos comprar nenhum presente – e isso pode acontecer com muitos filhos – que presente então lhe dar, a não ser nosso respeito, todo carinho e amor e uma pequena flor, gigante como ela própria? Sim, uma flor – símbolo incontestável do sentimento maior que ela nos inspira, junto com o abraço forte e o beijo grande, repletos de carinho e emoção.

Mãe – a vida se repartindo, coração se avolumando, amor se multiplicando... Todos os dias são seus, toda a vida lhe pertence; a natureza, perfeita, é sua irmã gêmea. E nós te festejamos, hoje e todos os dias.



O brasileiro e a corrupção

Crônicas & Opinião | Fonte: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC ( brunopl@terra.com.br ) :: 04/05/2012

Há algum tempo, abrindo um jornal daqui da região, deparei-me com o editorial sobre corrupção. Interessei-me pelo texto, porque no dia anterior tinha escrito sobre o tema no meu blog.

Falava eu, na minha crônica, do mau exemplo de nosso poder público, da nossa politicagem, atolada em corrupção e beneficiada pela impunidade, em relação às crianças e jovens desse nosso indefeso país. Ou indefeso povo, apesar de esse mesmo povo ter votado nos “políticos” que estão no poder, muitos deles comandando a corrupção que grassa descaradamente.

O editorial do jornal falava da reportagem publicada em um jornal espanhol, dando conta da corrupção em nosso país, com o título: “Por que os brasileiros não reagem à corrupção de seus políticos?”. A matéria do jornal estrangeiro era superficial, mas a pergunta é muito oportuna, pois nós, brasileiros, assistimos a tudo calados, aceitando tudo passivamente. Quem está lá fora está vendo a corrupção e a impunidade, mas quem está aqui parece não se importar.

Quando vamos nos levantar contra esse estado de coisas insustentável? Precisamos começar a fazer alguma coisa, precisamos protestar, exigir que usem o dinheiro público, que é composto da quantidade enorme de impostos que pagamos, em benefício do cidadão brasileiro e não contra ele. O cidadão brasileiro precisa se preocupar menos com novelas e futebol, instrumentos de manipulação que deram certo no Brasil, e atentar mais para os seus próprios problemas, para a sua vida. Precisamos parar de fazer vista grossa para quem está nos enganando e roubando, precisamos aprender a votar melhor, a não esquecer o que os políticos aprontaram em seus mandatos anteriores, para não votar mais neles. Depende de nós, somos nós que colocamos esses senhores corruptos no poder.

Se não houver em quem votar – e infelizmente essa possibilidade não pode ser descartada – podemos anular o voto. Anulando o voto, ele não vai valer para ninguém. E se muitos anularem seus votos, alguém terá que perceber que alguma coisa está errada. E se houver metade dos votos nulos mais um, terá de haver outra eleição, com outros candidatos. É a maneira mais eficaz de protestarmos, de fazermos ver que não estamos satisfeitos com o que está aí. E, ainda, o eleitor precisa saber que assim como colocou o candidato no poder, pode tirá-lo. Mas não interessa para os nossos “representantes” que seus eleitores saibam disso, não é?



Educação e leitura: VIDA

Crônicas & Opinião | Fonte: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC ( brunopl@terra.com.br ) :: 27/04/2012

Um leitor não é aquele que lê um livro – ou uma sinopse – apenas para dizer que o leu. Ou que nem sequer lê a sinopse porque tem dificuldade para interpretar um enunciado. Leitor de verdade é aquele que sabe interpretar o que leu, que sabe recriar um texto. É aquele que usa seus sentidos na recriação de um texto, que decodifica signos com emoção, com alma, com sentimento.

Infelizmente, no Brasil, temos muitos dos primeiros, que na verdade nem podemos chamar de leitores, pois leem pouco porque não conseguem capturar o significado de um texto. Não conseguiram usufruir do letramento e não conseguem, quase, se comunicar. Escrever ou ler um bilhete é uma tortura, pois não conseguem se expressar nem entender uma pequena mensagem.

O leitor de verdade, então, esse não é muito comum. Aquele leitor que tem o hábito de ler, que lê dois, três, cinco livros por mês, sejam eles comprados, alugados, emprestados, esses são poucos, em número muito aquém do que desejaríamos, considerando-se o tamanho da população desse nosso país.

O resultado da terceira edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, encomendada pela Fundação Pró-Livro e pelo Ibope Inteligência acaba de sair e não é nada bom. Revela que, do ano de 2007 até a atualidade, o índice de leitura dos brasileiros caiu de 4,7 livros por pessoa para quatro títulos. O número de leitores saiu de 95 milhões e meio, há cinco anos, para 88 milhões no ano passado. E olhe que a população cresceu, e muito, nesse período.

Isso pode ter muitas causas. Uma, sem dúvida a principal, é a falência da educação no Brasil. Se a educação é ruim e não incentiva a leitura nos leitores em formação, então não podemos esperar que crianças cresçam com aquisição de cultura e informação suficiente para consumirem livros, para terem boas colocações no mercado de trabalho e, consequentemente, poderem continuar, na vida adulta, a leitura de mais livros, adquirindo, assim, mais cultura, mais conhecimento e mais capacidade de progredir. Porque ler é adquirir subsídios para a vida, é tentar entender o mundo. Ler é nos transformarmos, é nos adaptarmos com as mudanças a nossa volta, é ajudar a mudar o mundo – para melhor.

Então, precisamos repensar a educação brasileira, estruturá-la, dar-lhe atenção e a importância que ela realmente tem, capacitar melhor os educadores e pagá-los dignamente. O Estado precisa priorizar a educação e não desconstruí-la, como vem fazendo. E isso precisa ser feito logo. Ou será tarde demais.



Para comemorar o livro

Crônicas & Opinião | Fonte: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC ( brunopl@terra.com.br ) :: 20/04/2012

Está aí o Dia Mundial do Livro. Ele é comemorado em 23 de abril, em mais de cem países, porque nesse dia nasceram grandes escritores como Cervantes, Shakespeare, Vladimir Nabokov e Josep Pla. A data foi instituída pela Unesco, em 1996.

Livro, este objeto mágico que pode trazer no seu interior um mundo de conhecimento, de fantasia, de imaginação. O guardião da história da humanidade, o registro de tudo o quanto o ser humano já fez neste mundão de Deus. O receptáculo de toda a inteligência do homem, até das teorias do que poderá vir a ser o futuro.

É bem verdade que ainda é quase um item de luxo, pois seu preço é um tanto quanto alto para uma grande parcela do nosso povo, mas para quem gosta de ler há alternativas como as bibliotecas municipais, escolares, de clubes e associações, etc. Essas bibliotecas nem sempre terão os últimos lançamentos em seus acervos, mas sempre haverá algum bom título que não lemos. Assim como os sebos, que oferecem um sem número de opções a preços razoáveis.

Com o avanço da tecnologia digital, o e-book, ou livro eletrônico, e os leitores eletrônicos - e-readers - estão se popularizando cada vez mais e já há uma pequena legião de seguidores. Vivemos, na verdade, uma revolução cultural. Eles, os tablets – Kindle, Ipad e tantos outros leitores eletrônicos que estão à disposição no mercado, inclusive no Brasil, começam a virar o sonho de consumo de muita gente, inclusive daqueles que não têm condições de adquiri-los. Ainda que muitos daqueles que os adquirem acabem esquecendo da função de leitores digitais dos aparelhos, tantas são as opções que eles oferecem: jogos, filmes, internet, comunicação através de programas como skype, programas de relacionamento, etc.

De qualquer maneira, o livro impresso, de papel, o tradicional livro como o conhecemos até agora continuará por muito tempo ainda. E por mais que ele mude, ainda continuará a se chamar livro, o objetivo de perenizar e divulgar a cultura e o conhecimento será o mesmo. Certeza é que o livro de papel poderá conviver harmoniosamente com o livro eletrônico e vice-versa.

Com a tecnologia da informática a serviço da leitura, a tendência é que o hábito de ler se intensifique, até porque além do livro tradicional e do livro digital, temos ainda o áudiolivro, que possibilita que os deficientes visuais sejam, também, consumidores de literatura.

Então talvez devamos comemorar tanta tecnologia a serviço da leitura, mesmo considerando que o livro físico, aquele que podemos folhear, rabiscar e ler sem dependência de nenhuma fonte de energia, a não ser a nossa visão e a vontade de ler, não será extinto. Ao contrário, ele continuará firme, mesmo com todas as outras formas de leitura que existem ou que porventura poderão vir a existir.

De maneira que rendo minha homenagem a esse objeto tão importante para o progresso das civilizações em todo o mundo.

Vida longa para o livro, como quer que seja concebido.



O descompasso do tempo

Crônicas & Opinião | Fonte: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC ( brunopl@terra.com.br ) :: 13/04/2012

Recentemente, falei no meu blog sobre o tempo que tivemos no último verão, aqui no sul e em algumas outras partes do país: ao invés das chuvas torrenciais, com grandes tragédias em áreas de risco, geralmente nos meses de janeiro, desta vez tivemos seca. Centenas de cidades em estado de calamidade pública, aqui em Santa Catarina, principalmente no oeste, por falta de água, produção agrícola perdida em vários lugares, um calor escaldante.

Pois acho que falei demais. Neste mês de abril, já passado o verão, a chuva forte veio e trouxe a tragédia que, pensamos, havia sido descartada, com deslizamentos e mortes na região serrana do Rio de Janeiro. Tivemos, também grandes tempestades em Goiânia, no norte do Brasil e no sul também.

Precisamos de chuva, precisamos muito, mas espero que ela não venha mais em quantidade exagerada. O calor ainda persiste, a chuva está vindo mais amiúde, mas bem comportada, nos últimos dias, e esperamos que continue assim.

Eu ficava assustado, quando abria a torneira direta da rua, para encher o regador e molhar minhas plantas que estavam quase morrendo esturricadas e não havia água, a torneira estava seca. Isso me lembrava uma parte da minha infância em Corupá, quando não tínhamos água de rede. Tínhamos um poço – a água era encanada, mas vinha de um poço nos fundos do quintal. Ele fora cavado na pedra, então não era muito fundo. E no verão faltava água. E faltar água numa casa com muitas crianças era muito difícil. Para cozinhar, buscávamos água numa vizinha, a umas cinco casas depois da nossa, que tinha um poço que oferecia água em abundância. Para lavar, trazíamos água do rio, que ficava também a uns quase quinhentos metros de casa. Eu era adolescente e carregar duas latas de água cheias pesou bastante, tanto que fiquei com as costas um pouco arcadas.

Mas tanto a seca como as chuvas que trazem inundações e deslizamentos assustam muito. Não há mais poços, para nos abastecermos com água do vizinho. A água é toda de rede e se ela não vem, falta para todo mundo. E as chuvas acumuladas levam tudo o que algumas pessoas têm, até a vida. É terrível ver áreas habitadas deslizando, soterrando casas e pessoas.

É bom que tudo o que aconteceu até agora com os descompassos do tempo sirva de alerta para todos nós. Será que aprendemos, será que percebemos a necessidade premente de que precisamos cuidar melhor do nosso meio ambiente? Se não respeitarmos a natureza, ela também não nos respeitará.



Páscoa

Crônicas & Opinião | Fonte: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC ( brunopl@terra.com.br ) :: 03/04/2012

É Páscoa. Não simplesmente ovos e coelhos de chocolate, festa, presentes. A palavra Páscoa vem do hebraico e significa "passagem". Os judeus comemoravam esse dia antes mesmo do nascimento de Cristo, desde há muito tempo, então com outro sentido: o de liberdade, ou seja, a libertação de anos de escravidão no Egito. Para os cristãos, a Páscoa passou a celebrar o renascimento de Cristo, a passagem dEle deste mundo para o Pai.

Páscoa, então, é renascimento, renovação, a festa da libertação. Época de repensar a vida e renová-la, de refletir sobre o Menino que se tornou homem, morreu e ressuscitou, elevando-se ao céu, provando aos homens que há uma força divina, maior, regendo nossos destinos.

Lembrei, então, que numa crônica de Natal eu falava da solidariedade que podemos exercitar, olhando para o lado e prestando atenção no irmão menos privilegiado do que nós. Assim como já havia feito em um Natal, numa Páscoa já distante da minha vida, resolvi fazer pequenos pacotes com pequenos ovos de chocolate, bombons e balas, coisa simples, quase simbólica, que eu tinha pouco pra dividir. E fui, num sábado de aleluia, distribuí-los às crianças de uma comunidade carente. As dezenas de pacotes quase não foram suficientes para as muitas crianças, que ficaram muito felizes, pois aquilo era tudo que teriam naquela Páscoa. Pena que não pude explicar o significado dos ovos e coelhos, símbolos da Páscoa, e da razão porque eu estava oferecendo aquele pequeno presente.

Quisera ter falado a eles sobre o coelho, que apesar de não botar ovos, assumiu o papel de produtor e entregador dos ovos de Páscoa, pela sua notória capacidade de reprodução, símbolo da fertilidade. E que o ovo representa a pureza e a fertilidade, um símbolo da vida, daí sua relação com a ressurreição de Cristo. O ovo é como a eternidade, não tem começo nem fim.

Recentemente fomos visitar uma creche, destas que assistem crianças de famílias carentes, que deixam lá os filhos pequenos porque têm que trabalhar. E vimos uma mesa enorme coberta de cestinhas, enfeitadas, mas vazias. Então resolvi que vamos ajudar. Vamos tentar colocar algum recheio nas cestas.

E desta vez será da maneira correta, pois ali elas aprendem o significado da Páscoa.



A indústria da exploração da fé

Crônicas & Opinião | Fonte: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC ( brunopl@terra.com.br ) :: 31/03/2012

Dois assuntos eu não gosto de abordar, política e religião. Mas há ocasiões em que somos obrigados a falar sobre os referidos, pois fazemos parte do contexto em que eles estão inseridos; queiramos ou não, eles nos dizem respeito.

Então enveredamos por discussão sobre religião, em família. E aí a coisa pega, pois sou muito cético em relação ao assunto. Para mim, fé é uma coisa e religião é outra. Acho crime o que fazem certos “bispos” e “pastores” de algumas novas igrejas que usam o nome de Deus para conseguir dinheiro dos pobres fiéis. E quando digo pobres, quero dizer pobres, mesmo, nos dois sentidos: pobres porque são enganados, aliciados e saqueados e pobres porque têm poucas posses, a maioria deles.

E as igrejas proliferam, porque no Brasil essa é uma modalidade de “empresa” ou “entidade” que não paga nenhum imposto. Então os “religiosos” alugam um espaço físico, fundam uma igreja e atraem os “féis”, com a promessa, por exemplo, de livrá-los do inferno, se doarem certa quantia à casa de Deus, que eles representam. E com esse dinheiro que pedem aos “fiéis”, pagam o aluguel, pagam os pastores e “funcionários” da igreja e ficam ricos, constroem impérios.

Não seria tempo de nossos governantes, o poder legislativo, quem sabe, rever essa lei que isenta as igrejas de qualquer ônus, de qualquer imposto, para acabar com essa coisa de pedirem o pouco dinheiro que as pessoas ganham com sacrifício em troca de promessas formuladas em nome de Deus, em tom de coação, pois ameaçar que alguém vai pro inferno se não colaborar, que não vai conseguir sucesso na vida, se não colaborar, é enganar as pessoas.

Está na hora de mudar esse estado de coisas. Isso é usar o nome de Deus em vão, é usar a fé em Deus dos nossos semelhantes para conseguir benefício próprio, usando o princípio do dízimo, que é mencionado na Bíblia. Não pode haver lei que proteja isso.

Volta e meia um escândalo de “dono” de alguma igreja vem à tona, mostrando que o “bispo” ou seja lá que outro nome se dão, enriqueceu com o dinheiro “arrecadado” pela sua igreja, transformando-se em proprietário de mansões, grandes e valiosas fazendas, impérios empresariais, etc. Não foram nem um e nem dois, vários destes “senhores” já foram denunciados, mas nunca nenhum foi preso. Nem devolveu o dinheiro “doado” por seus “fiéis”.

Seria engraçado se não fosse trágico – e irônico – o fato de a denúncia mais recente partir da rede de televisão pertencente a uma igreja cujo dono já foi alvo das mesmas denúncias que vem fazendo a um outro dono de igreja.

Será que não pesa na consciência desses senhores usar o nome de Deus para arrancar dinheiro de quem tem quase nada? Parece que não. E a lei, ou quem faz as leis, nossos digníssimos representantes, e a justiça, falida, não fazem nada para acabar com esse estado de coisas.



Os livros e o direito autoral

Crônicas & Opinião | Fonte: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC ( brunopl@terra.com.br ) :: 24/03/2012

E o impasse continua. A nova lei de Direitos Autorais, projeto do Ministério da Cultura que vem se arrastando há anos, volta à baila, agora não mais se atendo à música, como aconteceu há até bem pouco tempo, mas focando a literatura.

A legislação vigente é de 1998 e protege os textos de obras literárias, científicas, conferências, sermões, ilustrações, cartas geográficas, músicas, desenhos, pinturas, esculturas e arte cinética. Não é possível fazer cópias de livros inteiros, apenas capítulos ou páginas, o que não é respeitado, evidentemente, porque os livros que os universitários precisam são muito caros, por exemplo.

A nova proposta da lei de Direitos Autorais, elaborada pelo MinC, já foi disponibilizada à consulta pública, mas está encalhada no Congresso, que precisa aprová-la para passar a valer. Esta nova versão da lei prevê a possibilidade de cópia do livro na íntegra, para “uso privado”, ou seja, a duplicação de uma obra para estudo será legal.

A pirataria não chegou aos livros, ainda, aqui no Brasil, mas a lei pode provocar a sua aparição, temem editores e livreiros. É bem verdade que os livros, por aqui, são muito caros, que nem todo estudante pode comprá-los, mas a pirataria de obras literárias não seria nada bom para os autores brasileiros, que já ganham parcos 10 por cento pelo seu trabalho.

Pirataria de livros, para quem não sabe, é a produção de livros – impressão em fac-simile, digamos assim – para ser vendida como se vende os DVDs de filmes, exemplo. Em outros países isso já existe.

Então finalmente o foco recaiu sobre os livros, mas não há muita esperança de que o estado de coisas atuais mude alguma coisa. A verdade é que a versão digital dos livros – e-books, jornais eletrônicos, internet – não foi contemplada na nova lei.

O livro digital é uma realidade, queiramos ou não. O livro impresso, como o conhecemos até agora vai continuar, ainda, por muito tempo, mas o livro eletrônico está conquistando espaço. De maneira que deveria ser contemplado, também, nessa nova Lei de Direitos Autorais, tão polêmica e tão inócua, antes mesmo de começar a valer. Precisa haver uma regra para que as obras que são veiculadas na internet, por exemplo, não sejam copiadas e usadas indiscriminadamente, sem que as fontes sejam ao menos comunicadas. Urge uma regulamentação mais efetiva nesse sentido.



Mais livros para deficientes visuais

Crônicas & Opinião | Fonte: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC ( brunopl@terra.com.br ) :: 16/03/2012

Numa iniciativa pioneira, aqui em Santa Catarina, uma editora de Blumenau publicou uma antologia com contos de autores da terra, com uma característica singular e muito importante ao mesmo tempo: o livro está em braile. É um livro para deficientes visuais, coisa que poucas de nossas bibliotecas têm para oferecer a um público tão carente de opções de leitura.

Lembrei disso, porque acabo de ver uma notícia na televisão que me dá conta de que a Fundação Dorina Nowil para Cegos, com sede sem São Paulo, distribuirá, gratuitamente, até o fim deste mês de março, trinta e cinco mil livros em braile para bibliotecas públicas e associações de assistência a deficientes visuais. São dez títulos diferentes, mas não trazem apenas os textos impressos em braile, eles têm um diferencial bastante atrativo: eles trazem ilustrações que podem ser “vistas” pelos leitores cegos, pois vêm com descrição também em braile.

Não é interessante? As crianças vão ler o livro e poderão “ver” as ilustrações. É um avanço, para nós, brasileiros, pois até aqui, apenas nove por cento das nossas bibliotecas tinham, em seu acervo, livros para cegos. As bibliotecas públicas e de associações receberão, cada uma, sete livros dos dez publicados, o que já é uma grande coisa, pois todas deverão ter esses livros e as crianças e deficientes visuais de qualquer ponto do país poderão ler as obras.

A Fundação Dorina Nowil tem a maior gráfica para deficientes visuais da América e, segundo a matéria que foi ao ar, os livros serão distribuídos de graça. Iniciativa que merece todo o nosso respeito e consideração, o nosso aplauso, pois mostra que é possível fazer alguma coisa pela educação no Brasil, tão relegada ao esquecimento, à falência, mesmo, nos últimos tempos. É possível fazer alguma coisa para oferecer cultura ao deficiente visual. Isso é inclusão social.

Fui saber mais sobre o trabalho fantástico da Fundação, fui procurar saber como alguém pode fazer um trabalho tão importante e oferecê-lo graciosamente ao consumidor final, e olhem o que descobri: “Organização sem fins lucrativos e de caráter filantrópico, ao longo de 66 anos a Fundação Dorina Nowill para Cegos produziu mais de seis mil títulos e dois milhões de volumes impressos em braille. A instituição produziu ainda mais de 1.600 obras em áudio e cerca de outros 900 títulos digitais acessíveis. Além disto, mais de 17.000 pessoas foram atendidas nos serviços de clínica de visão subnormal, reabilitação e educação especial.” Vida longa para a Fundação. E um bom futuro com leitura para os deficientes visuais de todo o Brasil.



TV paga e as reprises

Crônicas & Opinião | Fonte: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC ( brunopl@terra.com.br ) :: 10/03/2012

Até o dia 3 de março esteve aberta para consulta pública a Lei 12.485, da Ancine, que propõe mudanças na programação da TV paga, aumentando a quantidade obrigatória de produções brasileiras nos canais exibidos aqui no Brasil.

Pelo menos 3 horas e meia por semana da programação de todos os canais, no horário nobre, deverá ser de conteúdo nacional, de produções de origem brasileira.

Outros detalhes estão especificados na nova lei, como não considerar válidos programas de auditório, programas jornalísticos e programas esportivos para cumprir a cota de conteúdo nacional. E outros mais.

Uma operadora já está com uma grande campanha publicada em grandes revistas, jornais, etc., alertando os “clientes” que, se aprovada, a nova lei vai aumentar os preços de assinaturas.

Achei interessante que um dos itens do “alerta” diz que “De acordo com a Ancine, 10 por cento do conteúdo de pay-per-view deverá ser brasileiro e não poderá ser repetido por mais de uma semana.” A operadora, indignada, alega que a proposta é ilegal e que “impedir reprises restringe o seu (do cliente) acesso a obras brasileiras relevantes (?) como Tropa de Elite, Tropa de Elite 2, Central do Brasil, entre outros.”

Muito a propósito, pois nós, clientes da TV paga, pagamos para ver reprises. Filmes são reprisados exaustivamente, por anos, e ninguém faz nada. Isso sem contar outros programas. Mas o que mais reprisa na TV paga são filmes e séries. Há filmes que são reprisados quase todos os dias. Há filmes que são reprisados em canais diferentes. Já vi o mesmo filme passando, ao mesmo tempo, em dois canais distintos. Os filmes e seriados reprisam infindáveis vezes em um canal e de repente surge um canal “novo”, que vem com uma programação toda de reprises dos mesmos filmes que já foram reprisados e reprisados. E temos que pagar para ver reprises, pois às vezes – e isso não é raro - rodamos todos os canais de filmes e seriados e não conseguimos encontrar nada que já não tenhamos visto.

Já fui na Anatel denunciar isso, mas lá me disseram que não é com eles. Eles me indicaram o Procon, mas agora vejo que eu deveria ter falado com a Ancine.

Vamos ver se a nova lei faz alguma coisa por nós, espectasdores, obrigando a diminuir as reprises. Talvez, diminuindo as reprises, o número de canais também tenha que ser diminuído e a gente possa pagar menos, pois as operadoras baseiam seus preços na “grande quantidade” de canais que oferece.



Tecnologia de ponta e a educação

Crônicas & Opinião | Fonte: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC ( brunopl@terra.com.br ) :: 03/03/2012

Sobre o uso de Tecnologia de Ponta nas escolas públicas brasileiras, faz-se necessária uma reflexão sobre o investimento de mais de cento e oitenta milhões de reais dos cofres públicos em tablets para nossos estudantes de primeiro e segundo graus.

É até promissora, como já disse em outra oportunidade, a possibilidade de se colocar computadores touch screen na mãos de nossos estudantes, pois as novas tecnologias, aliadas à internet, facilitam o acesso rápido à informação e, consequentemente, ao aprendizado.

Mas além da incerteza de que esses aparelhos apareçam, realmente, nas escolas, para uso dos estudantes­­ – os notebooks, de outro programa, bem mais antigo, até hoje não foram entregues a todas as escolas brasileiras - há o fato de que a educação pública está falida, neste nosso imenso Brasil. Só não vê quem não quer. A impressão é de que há interesse em que o povo não seja esclarecido, inteligente, não tenha cultura. Será apenas impressão? Algumas escolas estão caindo aos pedaços, sem manutenção há anos, em muitas delas não há equipamentos indispensáveis para os alunos assistirem às aulas e para o professor ministrar as aulas e os professores recebem salários irrisórios para a missão que eles têm de educar nossos filhos e prepará-los para a universidade, para o futuro.

É claro que tecnologia é importante e ela pode ajudar na eficiência da educação, se for bem usada. Mas não seria mais racional se o dinheiro que vai ser usado para a compra dos tablets e notebooks (e mais tantas outras coisas que se compram a preço de ouro nas repartições públicas, em Assembleias, Senado, etc., fosse usado para pagar melhor os professores e para capacitá-los melhor? Antes de qualquer coisa, precisamos ensinar nossas crianças, transmitir-lhes conhecimento, sem o que é inútil colocar em suas mãos ferramentas tecnológias de última geração. E para isso precisamos de boas escolas, equipadas e com professores capacitados e em número suficiente.

Os donos do poder precisam dar alguma atenção à educação. E não só à educação. O governo anunciou que o orçamento do Ministério da Educação, para este ano, teve um corte de 2 bilhões de reais. A educação deste país já está um caos, jogada às traças, e o governo ainda faz cortes na verba destinada a ela? A roubalheira precisa diminuir, para que o dinheiro que sobrar dê para fazer a manutenção de todas as escolas públicas deste país, equipá-las e pagar decentemente os professores que tem a missão de formar os adultos que dirigirão este país amanhã.

E a situação consegue ser pior: o corte da saúde é ainda maior, muito maior: cinco bilhões e meio. Não quero ser pessimista, mas sendo apenas realista, vejo que as pessoas continuarão a morrer nas portas de hospitais e postos de saúde e continuaremos a assistir à falência da educação. Talvez até distribuam os tais tablets, afinal, estamos em ano de eleição...



Tablets nas escolas públicas

Crônicas & Opinião | Fonte: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC ( brunopl@terra.com.br ) :: 11/02/2012

O uso de computador na sala de aula pressupõe melhoria na qualidade de ensino, pois significa acesso rápido a toda e qualquer informação e muitos outros recursos na ponta dos dedos. Há quem conteste esse benefício, mas o que se espera é que haja ganho no aprendizado com o uso das tecnologias que tomaram conta do nosso dia a dia. O professor teria mais conteúdo para usar e mais tempo para dar aula, pois não precisaria esperar os alunos copiarem matéria do quadro, não teria que escrever quase nada no quadro e poderia usar a internet, acessando os assuntos necessários e os alunos simplesmente teriam que anotar endereços de sites da web ou usariam a facilidade de copiar e colar ou gravar páginas em pdf ou nos favoritos, para acessar mais tarde a fim de estudar.

Supõe-se, é claro, que todas as escolas, em todo o Brasil, têm internet, para que o uso de laptops e tablets seja possível e pleno. O que ainda não é uma realidade, nem todas as escolas públicas dispõe de acesso à grande rede. É verdade que, a medida que os aparelhos forem chegando, o acesso à internet, se não houver, pode e deve ser providenciado, por estados ou municípios, conforme seja o mantenedor da escola.

O edital do MEC – Ministério da Educação – para a aquisição de tablets pelas redes públicas de ensino já está disponível para que as escolas se inscrevam.

A verdade é que já existe o programa do governo “Um computador por Aluno”, desde 2009, mas até agora ele não foi aplicado como prometido. A meta do governo Lula, com o programa, era contemplar cada estudante dos primeiro e segundo graus da rede pública com um computador para uso pessoal. Mas apenas quinhentas escolas do país foram contempladas com os laptops (ou notebooks) do programa UCA, um índice de menos de dois por cento de todos os estudantes brasileiros do ensino fundamental e médio.

O MEC diz que o programa que levará os tablets para a sala de aula não pretende substituir o programa dos laptops. O novo programa viria para complementar o anterior - que não cumpriu o objetivo de colocar um notebook (ou netbook, que não emplacou?) na mão de cada estudante do ensino público fundamental e médio.

O programa Um Computador por Aluno foi criado em 2005, mas só iniciou a entrega dos aparelhos a algumas escolas de alguns cidades brasileiras em 2009. Esperemos que o novo programa não demore tanto tempo para ser aplicado e atinja todas as cidades brasileiras, em todos os estados.



OS DIFERENTES TIPOS DE PLÁSTICO BIODEGRADÁVEL

Crônicas & Opinião | Fonte: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC ( brunopl@terra.com.br ) :: 04/02/2012

Volto ao assunto das sacolas plásticas biodegradáveis, que foram adotadas em São Paulo. É que a corrente contrária, que afirma não ser o plástico biodegradável nada daquilo que se apregoa, que não beneficia o meio ambiente, que não é melhor do que o plástico comum, levantou a voz, liderada pelos fabricantes dos famigerados sacos plásticos.

Até aí, tudo bem, é até compreensível que os fabricantes de quantidades astronômicos de sacolas plásticas que são usadas em todo o país em supermercados, lojas, mercados, feiras, etc., defendam o seu produto. O que não invalida o fato de que o plástico comum demora cem anos para ser degradado e o biodegradável pode levar apenas meses. Então,há que se saber mais sobre os plásticos biodegradáveis.

O que eu não gostei, na verdade, foi ver, no domingo passado, na televisão, um especialista no assunto dizer que o plástico biodegradável – as sacolas que os supermercados de São Paulo estão vendendo para os clientes, desde o início de fevereiro – só degrada no curto prazo prometido se for tratado em compostagem. Ora, o problema da sacola, na verdade, não é se ela é reaproveitável ou não. O problema é que nós a usamos para acomodar o lixo doméstico que vai ser levado para aterros sanitários (?), e todo aquele plástico comum fica lá amontoado, sem se decompor, fazendo as camadas de lixo deslizarem, com a possibilidade de provocar tragédias como a que aconteceu em Ilha Grande. Então o plástico biodegradável não deveria se decompor nos lixões?

Foi então que tomei conhecimento de que há dois tipos de plástico biodegradável, segundo o Instituto Ideais: hidrobiodegradável e oxibiodegradável. O primeiro, é aquele que precisa de ambiente ideal e específico para se degradar rapidamente, ou seja, a compostagem, além de produzir efeito estufa. De outra maneira, ele se comportaria como plástico comum. E este parece ser o plástico biodegradável que estão usando para as famosas sacolinhas vendidas em São Paulo.

Já o plástico oxibiodegradável não precisa de ambiente específico para se decompor, ele some na natureza em tempo reduzido e sem efeitos colaterais, em qualquer ambiente. Seria, então, o ideal para usarmos em tantas embalagens quanto possível.

Outra coisa que vem sendo levantada, com razão, é o fato de que não são só as sacolas que a gente usa a todo instante que são feitas de plástico. Há uma gama imensa de embalagens de produtos secos e molhados que são confeccionadas com plástico comum. Sei que precisamos começar por algum ponto, e acho ótimo que tenhamos começado, finalmente, pelas sacolas plásticas. Mas não podemos ficar apenas nas sacolas. Há muito mais feito de plástico: embalagens de refrigerantes, de iogurtes, de toda sorte de produtos alimentícios secos ou não, quase todo produto que se compra vem envolto em plástico, seja uma peça para o carro, um eletrodoméstico, um brinquedo, tudo. E isso tudo leva um século para se decompor, a exemplo das sacolas de supermercado.

Então, se não for possível substituir todas as embalagens de plástico comum - e parece que tudo é embalado com plástico - o que precisamos é nos educar no sentido de separar todo esse plástico para ser reciclado, de maneira que não vá parar nos aterros sanitários, nos esgotos, nos rios, no mar, etc. E urgente, porque o meio ambiente já não aguenta tanto plástico. Pelo prazo que ele precisa para se degradar, os primeiros produtos feitos de plástico, aqueles do início do uso do plástico ainda não começaram a se decompor. Já imaginaram quanto plástico está acumulado na natureza?



Começa o uso do plástico biodegradável

Crônicas & Opinião | Fonte: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC ( brunopl@terra.com.br ) :: 28/01/2012

Há vários meses atrás, desde que começaram a falar em trocar os sacos plásticos usados em lojas e supermercados, eu já falava que a solução para acabar com o excesso de plástico nos lixões, nos esgotos, nos rios, no mar, etc., era usar a tecnologia do plástico biodegradável.

Aliás, não é coisa de meses, é coisa de anos, que se cogita acabar com o saco plástico comum, desde que apareceu o plástico biodegradável, que ao invés de dezenas de anos, cerca de um século, para sumir na natureza, leva apenas dois ou três meses.

Data de 2007 a criação do plástico biodegradável, por pesquisadores brasileiros e franceses, e só agora um Estado brasileiro, São Paulo, baixou lei que proíbe o saco de plástico comum e coloca à venda os sacos do novo plástico, por alguns centavos. Trata-se de um plástico biodegradável que se decompõe em apenas quarenta e cinco dias, feito a partir de um novo polímero que utiliza em sua síntese um poliéster alifático (um tipo de polímero com cadeias abertas de moléculas) para acelerar o processo de degradação.

Então finalmente começaram a fazer aquilo que já cogitávamos há muito tempo atrás: acabar com o saco plástico comum e substituí-lo por sacos biodegradáveis, mesmo tendo de cobrar de clientes de lojas, mercados, supermercados.

Talvez, tendo que pagar, passemos a ter mais cuidado com o nosso meio ambiente, tão fragilizado. Que todos nós tenhamos o bom senso de separar o plástico comum para que seja reciclado, para que fabriquem com ele, por exemplo, o papel de plástico, com o qual podemos fazer livros mais duráveis. Sem as sacolas plásticas para complicar o processamento do lixo comum, teremos menos problemas no nosso meio ambiente, pois o lixo comum das nossas cidades terá um processamento mais racional nos aterros sanitários.

Já que a campanha para que os usuários de supermercados e feiras levassem suas sacolas retornáveis, de tecido ou outro material não deu certo, não há outra solução: acabar com o saco comum e vender embalagens feitas com o uso da nova tecnologia, que se decompõe rapidamente na natureza. As pessoas vão reclamar por ter que pagar pela tecnologia menos agressiva ao nosso meio ambiente, vão custar a se adaptar, como sempre, mas depois poderão agradecer pelos resultados. Teremos que pagar dez, quinze, vinte centavos por sacola, mas o que é isso em vista da sobrevivência do ser humano neste nosso planeta Terra, já tão combalido?

Esperemos que a ideia se espalhe e todos os estados da federação a copiem. É tempo de tomarmos atitudes positivas em defesa do ser humano e é muito promissor o fato de alguém ter começado. Que todos sigamos os bons passos.



Música sertaneja, a música popular brasileira

Crônicas & Opinião | Fonte: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC ( brunopl@terra.com.br ) :: 21/01/2012

Eu já não sou mais nenhum jovenzinho, então me lembro da época na qual a música sertaneja era uma coisa de minoria, dizia-se que quem ouvia e gostava daquele tipo de música eram as pessoas que moravam no campo, nas zonas rurais das cidades. Isso lá pela década de sessenta, setenta, oitenta. E, cá pra nós, as gentes da cidade também gostavam, sim, da música sertaneja, que era chamada também de música caipira, só que compravam os discos e ouviam os programas de rádio escondidas, muitas não confessavam que ouviam aquele tipo de som.

Eu não gostava mesmo, assim como não gostava de música gauchesca. Nos anos noventa, no entanto, as coisas começaram a mudar, talvez até um pouquinho antes. As duplas sertanejas começaram a vender mais e mais discos, os shows deles começaram a ser apresentados em palcos e lugares antes reservados a música popular, rock, música jovem, etc. e eles começaram a aparecer também na televisão e nas paradas de sucesso.

E a verdade é que começaram a fazer mais sucesso do que muito popstar da hora, vendiam mais discos do que muito cantor e muita banda consagrados. Aliás, diga-se de passagem, eles já vendiam muito disco há três, quatro décadas. É que as estatísticas não incluíam esse gênero, que era considerado pra lá de brega.

Hoje, eles são grandes astros e a música sertaneja evoluiu para o sertanejo universitário e o sucesso é cada vez maior. Os cantores e duplas são fenômenos musicais, como Michel Teló e Luan Santana, Zezé de Camargo e Luciano, Victor e Léo e tantos outros.

Os grandes hits musicais da atualidade são quase todos música sertaneja ou sertanejo universitário. As festas e bailes tocam o sertanejo universitário em todo lugar e todo mundo dança esse gênero. As academias de dança dão aula não só de música gauchesca, mas também e principalmente de sertanejo universitário.

Como eu falei lá no começo, eu na gostava nem de música sertaneja nem de música gauchesca. Pois agora gosto. Aprendi a gostar depois que fui aprender a dançar os ritmos da música gaúcha, porque em toda festa ou baile sempre toca o gênero, acabei gostando e também passei a gostar do sertanejo universitário. Não que eu já saiba dançar esta última, mas estou aprendendo.

O sertanejo universitário está fazendo sucesso até em outros países: a música de Michel Teló está sendo gravada em várias línguas, pelo mundo. Temos mais é que valorizar e aproveitar a popularidade de uma coisa nossa, pois é uma questão de cultura, de tradição que evidencia os sentimentos e emoções do povo brasileiro.



A nova geração dos livros fracionados

Crônicas & Opinião | Fonte: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC ( brunopl@terra.com.br ) :: 15/01/2012

O e-book – livro eletrônico ou digital – teve uma alavancada, no início desta década, mas não ameaçou, ainda, o livro tradicional, impresso. Até porque o preço, não raro, tem se equiparado ao preço da versão impressa das obras, como no Brasil, por exemplo. Mas não é só aqui que isso acontece. Mesmo sem o maquinário, a mão de obra, o papel, tinta, a distribuição e outras matérias primas envolvidas na confecção do livro como o conhecíamos até bem pouco tempo atrás, os livros eletrônicos – arquivos digitais para serem lidos em leitores digitais ou tablets, como I-pad ou Kindle, smartfones e computadores – têm preços bastante altos, em alguns casos equiparados com o valor dos seus equivalentes em versão impressa.

Então as grandes editoras procuraram inovar para incrementar as vendas dos e-books e estão lançando novos selos editoriais que vendem apenas partes, frações de livros, ao invés da obra completa. Por exemplo: você não precisa comprar uma antologia inteira, pode comprar apenas o conto do seu autor preferido. Aquele livro de ensaios maçudo de um grande pensador não precisa ser comprado na íntegra, compre apenas o ensaio que lhe interessa. E assim por diante.

No Brasil, uma das editoras está oferecendo essas versões reduzidas de e-book, que estão sendo chamadas, em outros países, de e-singles, mini e-books e-short-books, por até mais de dez reais, o que evidencia que continuam muito caras. Ainda bem que não são todas. Outras oferecem por valores entre um real e cinco reais.

A finalidade primeira, obviamente, é vender mais. Com livros mais baratos, poder-se-ia alcançar a classe C, que não compra livros porque eles são muito caros. Será que eles teriam o equipamento para ler os livros digitais? Mas há um outro interesse embutido na novidade: é dar uma amostra, para que o leitor compre a obra completa. Só que o preço precisa se estabilizar num patamar menor, senão nenhuma das duas finalidades será plenamente alcançada.

Será que o escritor independente, aquele que não consegue uma editora, finalmente conseguirá publicar sua obra, mesmo que em doses homeopáticas, dispensando o aparato industrial que envolve o livro impresso?

A nossa Biblioteca Nacional está para implantar o projeto “Livro Popular”. Será que esse seria um caminho para que a leitura possa estar mais acessível para qualquer cidadão brasileiro? Não conheço o projeto, não sei se ele prevê as duas formas de publicação, mas que venha o livro popular, se realmente vier com um preço decente. Se ajudar a incentivar a leitura neste nosso imenso Brasil, um grande objetivo se terá cumprido.



Um cartão de Ano Novo

Crônicas & Opinião | Fonte: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC ( brunopl@terra.com.br ) :: 07/01/2012

Como eu já disse em outra oportunidade, a gente recebe um monte de entulho pelo correio eletrônico, mas às vezes chegam coisas espetaculares. Recebo da minha amiga Fátima de Laguna um clipe do Youtube que é um belíssimo cartão de Ano Novo. É uma música cantada por Sandra de Sá, por um cantor de Cabo Verde, Ilo Ferreira, e vários outros cantores e instrumentistas de diversos países, como Buenos Aires, Chile, India, Espanha, Jamaica, etc.

A música é linda, cantada em português e uma outra língua que eu não consegui identificar, talvez seja bengalês, mas não tenho certeza. E digo que é o cartão de Ano Novo ideal, porque a letra é simples, mas diz muito, diz tudo o que queremos para o nosso futuro, para o futuro do ser humano e do lugar onde vivemos.

Vejam alguns trechos: “Peço a Deus / que os homens encontrem / os seus sonhos perdidos / e que os sonhos despertem / esses olhos dormidos / que o amor transborde / e que vamos em paz. // Peço a Deus / que nos mande do céu / muita sabedoria / um amor verdadeiro / que ninguém passe fome / um abraço de mãos / que vivamos em paz / que terminem as guerras / e também a pobreza / Encontrar alegrias / entre tanta tristeza / que a luz ilumine / as almas perdidas / e um futuro melhor.” Alguém já tinha traduzido um cumprimento entre os seres humanos como “um abraço de mãos”? Pois é.

Não é lindo? Não é a mais pura verdade? Não é o que todos queremos, o que todos pedimos? Como disse a minha amiga Fátima: Natal é isto: gente unida pela música. Parafraseando Mercedes Sosa: “a paz é cantarmos todos juntos!”

O nome do clipe é Satchita (acho que é o nome da música) e o endereço é http://www.youtube.com/embed/XMkaBN3x5AM. Considerem meu cartão de Ano Novo.



O que esperamos de 2012

Crônicas & Opinião | Fonte: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC ( brunopl@terra.com.br ) :: 31/12/2011

Este ano de 2011 que está se encerrando foi o ano da corrupção e da impunidade. Os brasileiros viram, mais do que nos anos anteriores, talvez, os políticos sendo denunciados por roubos e desvios de dinheiro público, sem que ninguém nunca devolvesse nada ou fosse preso por isso. Isso não só na esfera federal, mas também nas esferas estaduais e municipais. Quando muito, alguns ministros saíram do cargo, mas continuam nos seus partidos, incólumes, cheios de poderes, sem prestar contas a ninguém. A “faxineira”, que diz não dar mais trégua à corrupção, parece ter perdido o entusiasmo, a vontade de conter a roubalheira.

Para o ano de 2012, esperamos que a ética e a moral voltem a ser qualidades valorizadas tanto para nossos “políticos”, quanto para a nossa justiça, que no corrente ano mostrou muito bem que de justa não tem nada. Essas qualidades precisam voltar a ser sine qua non.

Que a corrupção e a impunidade sejam combatidas veementemente e que a justiça pare de passar a mão na cabeça de políticos ficha suja, como fez neste ano de 2011. Aliás, por culpa da “justiça”, a lei da ficha limpa acabou se tornando sem efeito, pois os tribunais não julgaram a validade da lei e reconduziram políticos corruptos a cargos públicos.

Queremos políticos que não legislem apenas em causa própria, que se preocupem com o cidadão brasileiro, que se preocupem com a saúde pública, com a segurança pública, com a educação, que foram destruídas nos últimos tempos.

Queremos para 2012, políticos honestos, que realmente representem o povo brasileiro. É pedir demais? Queremos ver menos notícias de roubos, assaltos, mortes, apropriação indébita do dinheiro público, superfaturamentos, desvios de valores.

Sabemos que não será um mar de rosas, mas sabemos também que 2012 poderá ser melhor. Precisamos avaliar melhor os candidatos, nas próximas eleições, para que possamos renovar essa safra de “políticos” que temos aí, que na sua grande maioria, de políticos verdadeiros não têm nada. E se não houver candidato decente, que votemos em branco, para manifestar nosso protesto contra os candidatos que almejam a vida pública apenas para enriquecerem.

Precisamos agir. Não podemos mais compactuar com esse estado de coisas. Estamos sendo roubados continuamente: os brasileiros são o povo que mais paga impostos, no entanto não há “verbas” para a saúde, não há recursos para a educação, não há como melhorar a segurança.

Está mais do que na hora de mudarmos tudo. E 2012 é um bom ano. Que entremos nele com o firme propósito de torná-lo um marco na transformação deste Brasilzão de Deus em um país mais humano e menos corrupto.



Paz e Justiça para o Ano Novo

Crônicas & Opinião | Fonte: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC ( brunopl@terra.com.br ) :: 30/12/2011

Um ano novo está chegando e o sol, mesmo intercalado com a chuva, o jacatirão florido, o flamboiã espalhando vermelho pelas calçadas, me dizem que 2012 será bom.

Por isso, não desejo muito deste novo ano. Peço apenas o possível: crianças na escola, velhos assistidos, ou seja: educação e saúde neste nosso Brasil e por todo este mundão de Deus; trabalho para todas as pessoas e alimento na mesa de todos, em qualquer lugar; ética e honestidade em todos as atividades do ser humano, principalmente na "política" e conscientização geral de que precisamos preservar a natureza para que haja um futuro amanhã.

Que saibamos cuidar do nosso meio ambiente. Que paremos de desmatar, que possamos diminuir a poluição, para que nossos filhos e netos possam ter um mundo viável mais adiante. Não quero, para todos nós, filhos de Deus, uma felicidade instantânea e fácil; quero uma felicidade conquistada, verdadeira e merecida. Uma felicidade perene.

Quero sorriso no rosto das pessoas, mas não sorrisos tristes. Quero sorrisos iluminados, pejados de fé e esperança, que se não os houver, não haverá vida. Quero luz no olhos de toda a gente, faróis a apontar o caminho. Quero paz no coração de todo ser humano, quero carinho a semear ternura, quero uma canção em todos os lábios, a propagar a fé.

Quero pedir aos homens, principalmente aos que detém o poder, o fim das guerras, que o seu coração foi feito para abrigar a paz, e seus lábios, suas mãos e seus olhos foram feitos para disseminá-la. O homem não foi feito para deter o poder em suas mãos e com este poder destruir seu semelhante. Peço à força maior que rege o universo que erradique do coração do homem a ganância, a inveja, o ódio, a indiferença.

Não estou pedindo nada impossível, tudo o que peço pode se tornar realidade, se todos quisermos. E precisamos querer, para que este próximo ano que se inicia seja bom, seja melhor que os anteriores. Para que os nossos sonhos possam continuar, para que possamos ter esperança de realizá-los.

Felizmente, somos teimosos e não perdemos a esperança no futuro. Haveremos de ter sempre essa esperança abençoada que nos impulsiona a viver. Então, estamos impregnados de esperança e de desejo de paz para iniciar o próximo ano. Precisamos iniciar uma nova era, a era da paz, da honestidade, da conscientização, da justiça verdadeira. Utopia? Sonho? Mas o sonho é esperança! Se não tivermos sonhos, o que será da esperança? E o sonho e a esperança podem e devem nos levar à realização. Pedia eu, em uma outra crônica de fim de ano, que os homens ouvissem os poetas, pois a poesia pode torná-los melhor. É ela que, mais do que outro gênero literário, talvez, retrata os sentimentos e as emoções do ser humano. É ela, a poesia, que aguça a nossa capacidade de amar, de sermos solidários, de preservar a vida e a natureza, de cultivar a paz. E precisamos disso para iniciar o ano novo.



Natal no coração

Crônicas & Opinião | Fonte: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC ( brunopl@terra.com.br ) :: 18/12/2011

O Natal está aí e eu percebo que, apesar de saber o que ele significa, sinto que o tempo, passando inexoravelmente, me mostra que minha idade vai avançando e eu vou mudando com ela. Vejo que aquela ansiedade para que o Natal chegasse já não é a mesma da minha infância, da minha juventude, do tempo em que minhas filhotas eram pequenas. Hoje elas estão adultas e a casa está vazia.

O Natal já não é mais tão alegre como outrora. Essa época de reunir a família e os amigos, de nos aproximarmos mais, de comemorarmos juntos a vinda de um Menino que traz sempre, todo ano, um punhado de fé e de esperança pra gente, acaba ficando um pouco triste, quando a gente já perdeu tantas pessoas queridas.

Não estamos sozinhos, é claro, e agradecemos a Deus por termos ao nosso lado muitas pessoas que amamos e poder abraçá-los na noite de Natal é uma bênção. Mas é inevitável lembrar de tantas outras almas abençoadas que não estão mais aqui e que fazem falta, muita falta. Almas que levaram um pedacinho do coração da gente. Então é preciso lembrar do Menino do qual estamos comemorando o nascimento, para não esquecer que nossos entes queridos deixaram, também, um pedacinho do coração deles para cobrir aquele pedacinho do nosso que levaram. Que eles estão, portanto, acolhidos num cantinho do coração e é com o coração que devemos abraçá-los. Coração que ficará mais leve, para dar as boas vindas ao Menino que está chegando para ocupar o seu lugar, se deixarmos.

De maneira que, para espantar a tristeza, para fortalecer a chama do Natal, preciso de crianças, mais do que em outras épocas do ano. Crianças são insubstituíveis no Natal, como se fossem a representação viva do Menino que renasce a cada ano. Podem ser netos, sobrinhos, afilhados, podem ser apenas crianças, simplesmente. Pode ser até nosso animalzinho de estimação, não raro o bebê da casa, por que não? Com criança o Natal é mais Natal.



O Natal está chegando

Crônicas & Opinião | Fonte: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC ( brunopl@terra.com.br ) :: 10/12/2011

Os enfeites natalinos já estão pela cidade toda, nas ruas, nas lojas, nas casas, nos jardins, os Papais Noéis já invadiram a televisão, os jornais, as revistas, o rádio e até a Internet. E eu me dou conta de que está chegando o Natal.

Natal, ah, o Natal... essa época mágica de desembrulhar esperanças, de dar de presente carinho, compreensão e amor, de construir e fortalecer a paz e a fé, de engavetar a saudade... Aquela saudade pequena, que vai ficando maior e que vai doendo um pouquinho mais à medida que o Natal vai chegando. Saudade de almas queridas, como do Menino aniversariante, inquilinos vitalícios de nossos corações...

E está aí o Natal, o mesmo Natal que, quando éramos crianças, trazia Papai Noel com os brinquedos, trazia a árvore enfeitada, guloseimas e canções. Canções que falavam do nascimento de um Menino encantado que tinha o poder de modificar as nossas vidas, se quiséssemos. Ele representava o ano novo que vinha em seguida, a renovação, significava que a vida seria melhor, que nós, seres humanos, poderíamos ser melhores.

Inexorável, vem a adolescência, a juventude e, adultos, vamos deixando aquela esperança mágica de lado, ocupados em sobreviver.

Mas ainda há tempo de ver um raio de luz nascendo no horizonte de nossas vidas, um fio de esperança apontando o futuro. Ainda há um resto de fé se multiplicando, e este é o tempo para multiplicá-lo mais e mais. Porque o Natal é renascimento, é o encontro da paz, é busca do amor: é a comunhão com Deus. É a ternura de um Menino nascendo, é um sentimento maior que nós, homens, ainda podemos exercitar.

Há que querermos um Natal completo e por inteiro, um Natal verdadeiro. E o espírito do Natal, que aproxima os homens, pulsará em todo ser. E brilhará nos olhos de toda criatura, luz a colorir a vida, a semear a paz, sonhada e perseguida. E estará nas mãos de todas as pessoas, carinho a semear ternura. E soará dos lábios de cada um, canção a propagar a fé. Isto é o Natal do coração, presente maior que podemos ter.

Temos a mania de dizer, nós os adultos, que o Natal perde a graça, depois que crescemos. Mas temos que resgatar o nosso eu-criança em algum cantinho, temos que continuar sendo um pouquinho criança para não deixarmos de festejar com a alma e o coração o nascimento do Menino Deus, o aniversário do Homem de Nazaré. E haveremos de dizer uma prece para comemorar-lhe a grande data e pedir-lhe a bênção neste e em todos os Natais...



O Sesquicentenário de Cruz e Sousa

Crônicas & Opinião | Fonte: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC ( brunopl@terra.com.br ) :: 05/12/2011

No dia 24 de novembro de 2011, o maior poeta catarinense de todos os tempos, Cruz e Sousa, completaria 150 anos de nascimento. Para comemorar, a terra onde ele nasceu, Florianópolis (antiga Desterro), preparou vários eventos. O Simpósio Cruz e Sousa debateu, com grandes nomes da literatura catarinense e brasileira, a vida e a obra do Cisne Negro, em quatro dias. Um selo em homenagem ao poeta foi lançado no dia do aniversário do poeta, pelo Correio. No mesmo dia, as 18 horas, trinta e um atores declamaram poemas de Cruz e Sousa nos terminais de ônibus de Joinvile, Florianópolis, Criciúma, Itajaí, Araranguá, Blumenau, Curitibanos, Chapecó, Caçador e Lages. Após a apresentação dos poemas, foram distribuídos livros com a obra do poeta aos espectadores.

Dois filmes sobre o poeta foram exibidos na Fundação Cultural Badesc. E um CD com cinquenta poemas de Cruz e Sousa, declamados por cinquenta escritores catarinenses foi elaborado pela Fundação Catarinense de Cultura.

E mais eventos já foram ou serão levados a efeito, o reconhecimento que o grande poeta não teve em vida. Mas nada será o bastante para apagar o abandono em que o poeta morreu.

Pena que as homenagens, nenhuma delas das muitas que foram feitas, teve lugar no Memorial que leva o nome do poeta, ao lado do Palácio Cruz e Sousa, onde estão depositados os restos mortais dele. O local é muito pequeno e, apesar de ter sido feito para abrigar eventos culturais, não é apropriado para receber público.

Nosso respeito e nossa admiração por você, grande poeta. Feliz aniversário. De presente, meu poema em sua homenagem:

SAUDADE (Luiz Carlos Amorim)

A poesia Catarina /tem um nome: / Cruz e Sousa. / A nossa poesia tem cor: / tem a cor da sua pele, / a cor alva dos seus dentes, / tem a cor do seu olhar, / tem a cor da sua alma, / a cor do seu coração; / tem todas as cores. / A poesia tem idade,a idade da saudade: / mais de cem anos / de saudade do poeta.



A corrupção e o poder

Crônicas & Opinião | Fonte: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC ( brunopl@terra.com.br ) :: 03/12/2011

E o “ministro” do Trabalho – só no Brasil, mesmo, para uma piada como esse tal de Lupi ser ministro – continua no cargo. Apesar das idiotices que andou dizendo em rede nacional, quando afirmou que não havia a menor possibilidade de que ele saísse do Ministério do Trabalho, que ninguém o tiraria, que só sairia derrubado por arma de grosso calibre, ele não saiu. Apesar de ser acusado de um sem número de “mal feitos”, como ter usado avião de empresário de empresa beneficiada pelo Ministério, de estar envolvido com desvio de verbas pagas a Ongs, etc., a presidente teria feito vista grossa e dito que “passado é passado” e ele continuaria.

E as denúncias continuam, dia após dia, nos jornais, nas revistas semanais de informação. Como disse hoje uma repórter, ele já caiu, mas não saiu. E dona Dilma, vai deixar que ele tire a sua autoridade? Sim, pois se ele não se demitir e se a presidente não o colocar para fora, ela estará endossando o que o “ilustre” ministro disse. Vai ficar assim? Provado por A mais B que ele manda mais que a autoridade maior desse país? Está na hora de desfazer a dúvida, senhora presidente. A situação fica cada vez mais vergonhosa, cada vez mais insustentável, não para ele, mas para Dilma, para a “politicagem” desse nosso Brasil.

Que país é este que tem o poder público loteado entre partidos, que tem ministros desqualificados e corruptos como este “senhor”? Cadê a limpeza que a presidente deveria estar fazendo para melhorar esse cenário? Já desistiu, porque o seu Lupi achou um ponto fraco?

Quando é que essa corrupção generalizada, essa impunidade vergonhosa e criminosa vai acabar? Será que esse “ministro” do Trabalho vai continuar no governo, apesar de todos os atestados de ignorância e de falta de ética, de moral e de honestidade que deu até agora? Mente descaradamente, desafia a presidente do país, desrespeita o povo brasileiro e continua incólume?



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